Trump diz que rejeitou matar pessoas para retaliar Irã
Presidente dos EUA alega que abortou missão quando soube que missão poderia deixar 150 mortos
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sábado, 22 de junho de 2019
Presidente dos EUA alega que abortou missão quando soube que missão poderia deixar 150 mortos
Agência Brasil 
Brasília - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (21), em entrevista à NBC News, que estava prestes a aprovar ataques contra o Irã pela derrubada de uma aeronave não tripulada norte-americana, mas que não gostou da ideia de matar pessoas como forma de retaliação. A informação é da repórter Susan Heavey, da agência de notícias Reuters.
Trump disse que perguntou a seus generais quantas pessoas poderiam morrer na operação. "E eles voltaram e disseram: 'Senhor, aproximadamente 150'. E pensei nisso por um segundo. Eu disse: 'Sabe de uma coisa? Eles derrubaram um avião não tripulado... e aqui estamos sentados com 150 pessoas mortas'.... E eu não gostei disso. Não achei que fosse proporcional."
Logo após a queda do drone, Trump teria aprovado ataques de retaliação contra "um punhado de alvos iranianos, como radares e baterias de mísseis", segundo o jornal New York Times, que citou uma autoridade do governo.
"A primeira fase da operação tinha começado quando foi cancelada", acrescentou o jornal. "Os aviões estavam no ar e os navios em posição, mas ainda não tinham disparado mísseis quando a ordem de parar chegou". A Casa Branca se recusou a comentar.
O Irã alertou que defenderá seu território contra qualquer ataque dos Estados Unidos. Nesta sexta-feira, o Irã exibiu imagens apresentadas como as dos "destroços" do drone derrubado na quinta (20) e afirmou que emitiu dois alertas antes de disparar contra o aparelho que, segundo explicou, violou o espaço aéreo iraniano. Os Estados Unidos asseguram que o drone foi abatido no espaço aéreo internacional.
Este novo episódio é percebido como uma consequência da política de "pressão máxima" conduzida pelo governo de Donald Trump, que quer pressionar o Irã a reduzir ainda mais suas ambições nucleares e limitar sua influência regional.
O vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, enviou uma mensagem "urgente" a Washington via Suíça, dizendo que seu país "não está buscando a guerra", mas que "defenderá resolutamente seu território contra qualquer agressão". A embaixada da Suíça em Teerã representa os interesses americanos na ausência de relações diplomáticas entre os dois países desde 1980.
Em visita à Arábia Saudita, país aliado dos Estados Unidos e grande rival regional da República Islâmica, o enviado especial americano para o Irã, Brian Hook, acusou Teerã de ser responsável por "agravar as tensões e de continuar a rejeitar as aberturas diplomáticas americanas". Neste contexto, a Rússia alertou contra um possível uso dos Estados Unidos da força contra o Irã, dizendo que isso seria "um desastre". Por outro lado, Israel pediu à comunidade internacional para apoiar os Estados Unidos contra o Irã.
As tensões não pararam de aumentar desde a retirada americana, em maio de 2018, do acordo internacional sobre a energia nuclear do Irã, seguida pela volta das sanções contra o Irã. A situação piorou com ataques a petroleiros na região do Golfo em maio e junho, e dos quais Washington acusa Teerã, que nega.(Com France Presse)


