Trump venceu prometendo mudança e vendendo-se como o forasteiro político capaz de desafiar um sistema corrupto
Trump venceu prometendo mudança e vendendo-se como o forasteiro político capaz de desafiar um sistema corrupto | Foto: Jim Watson/AFP



Nova York - Quando, em junho do ano passado, o empresário e ex-apresentador de TV Donald Trump, de 70 anos, desceu a escada rolante da Trump Tower (seu QG em Nova York) para anunciar que estava entrando na corrida à Casa Branca, poucos o levaram a sério. Na madrugada desta quarta (9), ele se tornou o 45º presidente dos Estados Unidos, após derrotar a ex-secretária de Estado Hillary Clinton e derrubar a maioria das pesquisas que, até a linha de chegada, o pintavam como zebra.

Trump derrotou praticamente todo o establishment americano, a começar por caciques do seu próprio partido. Prevaleceu sobre uma rara união entre empresários, artistas e intelectuais renomados, além de grandes veículos de mídia, que deram apoio à democrata Hillary Clinton. O empresário será o primeiro presidente dos EUA sem uma carreira política e o mais velho já eleito.

No hotel em Nova York onde foi preparada a festa da vitória republicana, a poucas quadras do Trump Tower, o clima era de velório no início da noite, quando as primeiras projeções negativas sugeriam vitória de Hillary. Aos poucos, porém, a euforia foi tomando conta do ambiente, à medida que a contagem dos votos em Estados importantes como Flórida e Ohio indicava que o bilionário estava no caminho da vitória.

AGRESSIVIDADE
O desfecho das eleições premia uma das campanhas mais agressivas e não convencionais da história, e a ambição de um empresário que nasceu em berço de ouro, multiplicou sua fortuna entre vários negócios controversos e venceu na política explorando ao máximo a frustração do público com a política tradicional.

Donald Trump venceu prometendo mudança e vendendo-se como o forasteiro político capaz de desafiar um sistema corrupto que tem na veterana Hillary Clinton seu maior símbolo de decadência. "Hillary trapaceira" foi o apelido com que se referiu à ex-secretária de Estado durante toda a disputa, encontrando ressonância num público que a via como a imagem da desonestidade.

Sua ascensão improvável desafiou o consenso entre os analistas de que não chegaria longe devido à inexperiência na política, às promessas vagas e ao linguajar vulgar. Mas ele foi hábil em usar o repúdio a seu favor, afirmando que era mais uma prova de que incomodava um establishment temeroso de mudanças.(Leia mais no caderno de Economia)

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