Trump demite secretária por desafiar decreto contra imigrantes
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quarta-feira, 01 de fevereiro de 2017
Folhapress 

São Paulo - O presidente dos EUA, Donald Trump, demitiu na noite de segunda (30) a secretária interina de Justiça, Sally Yates, depois de ela declarar que o Departamento de Justiça não defenderia a decisão de proibir a entrada nos EUA de refugiados e de cidadãos de sete países de maioria muçulmana. O cargo de secretário de Justiça nos EUA reúne funções que, no Brasil, são divididas entre o ministro da Justiça e o procurador-geral da República.
Sally provocou uma crise institucional ao enviar uma carta aos advogados do Departamento de Justiça com sérias dúvidas sobre a legalidade e a moralidade do decreto assinado por Trump na sexta-feira (27). "No momento, não estou convencida de que a defesa do decreto seja consistente com essas responsabilidades, nem de que o decreto seja legal", escreveu aos subordinados.
O episódio ecoa a crise conhecida como "Massacre da Noite de Sábado" do governo Richard Nixon. Em 20 de outubro de 1973, em meio às investigações do escândalo de Watergate, o presidente republicano pediu ao então secretário de Justiça Elliot Richardson que demitisse o promotor especial apontado para o caso, Archibald Cox, para tentar frear as investigações. Richardson se recusou e entregou sua renúncia ao cargo - o mesmo ocorreu com seu vice. Pressionado pelo escândalo dos grampos na sede do Partido Democrata, Nixon renunciou à Presidência em 1974.
Sally estava à frente do Departamento de Justiça desde a renúncia de Loretta Lynch, ao fim do governo Obama, no dia 20, e permaneceria no cargo até a confirmação pelo Senado de Jeff Sessions, indicado por Trump para chefiar a pasta.
Em uma nota oficial de tom agressivo, a Casa Branca afirma que "a secretária interina de Justiça, Sally Yates, traiu o Departamento de Justiça ao se recusar a garantir a aplicação da ordem legal designada para proteger cidadãos dos Estados Unidos." "O presidente Trump substituiu Yates de suas funções e designou Dana Boente, procurador da Virgínia, para servir como procuradora-geral interina até que o senador Jeff Sessions seja confirmado no cargo pelo Senado."
CRISE
As demissões representam o capítulo mais recente da polêmica de alcance global provocada pelo decreto assinado por Trump na sexta-feira. A medida suspendeu a entrada de refugiados nos EUA por um mínimo de 120 dias e de cidadãos de Irã, Iraque, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iêmen por 90 dias. Importantes congressistas republicanos, como o senador John McCain, já se pronunciaram contra o decreto e a forma como a Casa Branca tratou a questão.
Em meio ao caos, o governo foi alvo de várias ações na Justiça para anular os efeitos do polêmico decreto. Procuradores de pelo menos 16 Estados (todos governados por democratas), incluindo Califórnia e Nova York, classificaram a ordem executiva de Trump como "inconstitucional".


