Tropas tentam conter a rebelião na Albânia
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terça-feira, 04 de março de 1997
Reuter 
TIRANA - Tropas do Exército albanês, equipadas com tanques, rumavam ontem para o sul desse pequeno e mais pobre país europeu, para tentar conter a rebelião iniciada no fim de semana, enquanto o próprio chanceler albanês, Tritan Shehu, admitia, em entrevista a um jornal italiano, que o governo perdeu completamente o controle na região.
O país vive nos últimos dias um clima de guerra civil, por causa da revolta popular contra o governo do presidente Sali Berisha (reeleito pelo Parlamento na segunda-feira). A revolta foi causada pelo colapso de instituições financeiras locais que prometiam enriquecimento rápido e acabaram levando centenas de milhares de incautos albaneses à pobreza.
Os focos da rebelião no sul são os portos de Vlore e Sarande, além da cidade de Gjirokaster, onde gangues armadas dominam, saqueando lojas, atacando edifícios públicos e aterrorizando a população. A pequena base naval de Sarande, onde estão ancorados seis velhos navios de guerra, foi tomada ontem por jovens armados de fuzis automáticos e granadas roubadas dos arsenais militares. Em Vlore, onde os rebeldes também ocuparam uma base da Marinha no fim de semana, milhares de rebeldes, em sua maioria jovens, prometem resistir até o fim na busca de seu objetivo, a derrubada do governo de Sali Berisha.
O cenário de caos no sul da Albânia causou alarde na comunidade internacional, particularmente entre os dirigentes europeus, que temem o alastramento do conflito e ameaças aos países vizinhos, Grécia e Itália. A área em poder dos rebeldes está a apenas 50 quilômetros da fronteira com a Grécia. Mas ontem a Otan e a União Européia excluíram uma intervenção militar na Albânia, manifestando a esperança de que a crise seja resolvida por meios políticos.


