Tropas russas invadem Urus Martan
Nikolai Tupuria
France Presse
De Urus Martan
As tropas russas entraram ontem em Urus Martan, cidade estratégica situada 20 km a sudoeste da capital chechena que resistia há várias semanas, ignorando o dilúvio de críticas ocidentais ao ultimato lançado por Moscou aos moradores de Grozny.
A três dias da data limite fixada para a população para evacuar a cidade sob pena de ser aniquilada pela aviação e artilharia, segundo os termos de um panfleto lançado por avião para a população local, as críticas se sucederam durante todo dia por parte dos Estados Unidos, União Européia e organismos internacionais.
Por sua vez, premier russo, Vladimir Putin, explicou que a ameaça se referia aos combatentes e não aos civis. As virulentas críticas da União Européia, dos Estados Unidos e da ONU não modificaram a vontade da Rússia de ir até as últimas consequências na Chechênia.
O novo comissário para os direitos humanos no Conselho da Europa, Alvaro Gil Robles, afirmou que o ultimato russo foi um mal-entendido. Sou totalmente contra a idéia de causar vítimas inocentes.
A organização da Conferência Islâmica (OCI) afirmou ontem que as operações militares do exército russo na Chechênia eram desproporcionadas.
O comando russo tinha informado antes que suas tropas enfrentavam uma forte resistência na cidade, bombardeada há várias semanas. Considerada como o feudo dos islamitas fundamentalistas e com a reputação de ser o refúgio de bandos criminosos especializados em sequestros, Urus Martan era defendida por dois mil combatentes chechenos, segundo os russos.
As forças federais contam com o apoio de um batalhão checheno pró-russo do ex-prefeito de Grozny, Bislan Gantamirov, fiel a Moscou. Os bombardeios aéreos continuaram ontem contra Grozny, segundo oficiais russos nas proximidades de Urus Martan.
Segundo fontes concordantes russas e chechenas, 40 mil habitantes continuam vivendo em porões e refúgios da capital rebelde, privada de água, de gás e de eletricidade, e bombardeada há várias semanas.
A ordem dos militares russos para que a cidade seja evacuada não parece ter incomodado a população de Grozny. Um correspondente da televisão russa RTR citando fontes militares informou que até agora ninguém se apresentou ao posto de Piervomaiskaya, zona norte de Grozny, onde os russos estabeleceram um corredor de segurança para abandonar a cidade.
Mais ao sul, as cidades de Vedeno e Chatoi também foram bombardeadas, segundo fontes militares. As aviação russa intensificou seus ataques contra a Chechênia na terça e ontem de manhã, com 90 raids de aviões apoiados por 60 helicópteros, segundo o estado-maior russo citado pela Interfax.
Estas informações provocaram uma nova reação de Washington que pediu a Moscou para que não recorra a força cega para terminar com este conflito na Chechênia. Pela primeira vez, as críticas ocidentais parecem acompanhadas de ameaças concretas contra a Rússia. Os Estados Unidos decidiram suspender uma ajuda alimentícia enquanto que a França ameaçou em voltar a estudar sua cooperação com a Rússia, se os russos não aceitarem uma solução política na Chechênia.





