Tropas russas abrem
passagem para Grozny


Ruslan Musayev
De Grozny, Rússia

Uma forte fumaça vermelha de incêndios provocados por bombas russas cobria ontem a cidade de Urus-Martan, uma passagem-chave para a capital chechena de Grozny, enquanto aviões de combate russos sobrevoavam a região e soldados tentavam abrir caminho até a cidade.
A tomada de Urus-Martan, uma das maiores cidades da Chechênia, daria aos russos uma base para um assalto a Grozny, cerca de 20 km a nordeste.
Grande parte da cidade, que abriga uns 3,5 mil rebeldes, estava em chamas ontem, depois de dias de intensos bombardeios. As ruas de Urus-Martan estavam desertas, com as vidraças das janelas de praticamente toda casa estilhaçadas pelo incessante bombardeio russo.
Tropas terrestres moviam-se do ocidente em direção à cidade, engajando-se em pequenos confrontos com militantes chechenos no caminho.
A própria Grozny foi submetida a pesados bombardeios na noite de ontem. Mais cedo, uma forte neblina impediu que muitos aviões russos levantassem vôo e forçou outros a promover ataques de altas altitudes, que são menos precisos.
Na manhã desta quinta-feira, moradores de Grozny aproveitaram a pausa nos bombardeios e se aventuraram a sair de seus porões, onde se abrigam das explosões, correndo para o mercado da cidade a fim de comprar alimentos.
Mas a maioria não tinha condições de formar estoques, em vista dos preços proibitivos – que subiram cerca de cinco vezes desde o início dos combates.
‘‘Isto é guerra?’’ perguntou Ali Taisimov, um homem de 65 anos de Grozny. ‘‘Numa guerra, soldados lutam em combate, cara a cara. E os russos estão apenas bombardeando civis, mas não os militantes’’.
Mais de 200 mil pessoas já fugiram da Chechênia desde o início da operação militar da Rússia no final de agosto.
A comunidade internacional tem pressionado cada vez mais a Rússia para que pare com a ofensiva, concentrando suas críticas no grande número de vítimas civis e no sofrimento dos refugiados.
O ministro do Exterior da Noruega, Knut Vollebaek, que é presidente da Organização para Segurança e Cooperação na Europa, deve ser reunir na segunda-feira com o chanceler Igor Ivanov e outros oficiais russos a fim de acertar uma viagem à região.

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