São Paulo - Soldados do Exército de Mianmar anunciaram ontem que estão à procura de manifestantes pró-democracia nas maiores cidades do país. Veículos militares com alto-falantes patrulham as ruas da cidade antes do amanhecer e repetem, em alto volume: ''Nós estamos fotografando. Nós faremos prisões''.
A embaixadora interina dos Estados Unidos em Mianmar, Shari Villarosa, disse em Bancoc que as pessoas em Yangun estavam aterrorizadas. ''Pelo que sabemos, a Polícia Militar (...) está rondando a cidade durante a noite, entrando nas casas e detendo as pessoas'', disse.
Moradores da área do pagode Shwedagon -um dos santuários mais famosos de Mianmar e foco dos distúrbios- disseram que a polícia vasculhou dezenas de casas no meio da noite, levando diversas pessoas para interrogatórios. As casas estão localizadas acima de lojas de um mercado que fornece comida aos que estão no templo.
Forças de segurança vigiam os manifestantes desde agosto. Nos dias 26 e 27 de setembro, as tropas coibiram as manifestações com armas de fogo, bombas de gás lacrimogêneo e golpes de cassetetes.
Autoridades dizem que dez pessoas morreram nos confrontos, mas grupos dissidentes afirmam que os mortos chegam a 200. Segundo eles, por volta de 6.000 pessoas foram detidas, incluindo centenas de monges budistas que lideraram os protestos. As manifestações começaram com uma marcha contra o aumento do preço dos combustíveis.
Villarosa disse que os funcionários da embaixada recorreram vários mosteiros nos últimos dias e os encontraram completamente vazios.
Outros tinham barricadas de militares que impediam a entrada. ''Há uma redução significativa de monges nas ruas. Onde eles estão? O que aconteceu com eles?'', perguntou a representante dos EUA.
A rádio dissidente ''Democratic Voice of Bruma'', instalada na Noruega, disse que as autoridades liberaram 90 de 400 monges detidos em Myitkyina durante a invasão de mosteiro na noite do dia 27 de setembro.

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