Das Agências
As tropas da Força Internacional das Nações Unidas para Timor Leste (Interfet) lançaram ontem ataque contra outro reduto das milícias pró-Indonésia em meio a ameaças de retaliação dos grupos paramilitares. Os soldados tomaram o controle de Com, leste do território, depois de chegar ao povoado em helicópteros Blackhawk e deter 15 homens armados, sem disparar um tiro.
A segunda ação do gênero ocorreu na região onde nove pessoas – entre elas um jornalista indonésio e duas freiras – foram assassinados no domingo. Sacerdotes timorenses asseguraram ontem que as nove pessoas foram mortas a tiros por soldados indonésios e não milicianos.
Ameaçador, o chefe da milícia Aitarak, Eurico Guterres, deu ontem ultimato de três semanas para que a Interfet pare com ‘‘os atos de violência’’ contra seus efetivos e libere os ‘‘sequestrados’’ (referindo-se aos milicianos presos nos últimos dias).
De acordo com a agência oficial indonésia ‘‘Antara’’, João da Silva Tavares, presidente da Frente Unida para a Integração – uma coalizão de milícias – ordenou a seus homens que cessem com a campanha de terror e se preparem para lutar. Os milicianos devem conquistar o povo ‘‘por meio da comunicação e das manifestações de amizade’’ com o intuito de preparar uma ‘‘longa luta’’ que permitirá à Indonésia recuperar Timor Leste, teria escrito Tavares a seus homens, segundo a agência indonésia.
Confirmando a ameaça, o jornal ‘‘Jacarta Post’’, citando fontes militares, publicou ontem que as milícias instalaram na província indonésia de Timor Oeste um batalhão de combate com foguetes e armas pesadas em preparação a um ataque contra as tropas de paz. O porta-voz do Exército indonésio, general Sudrajat, estimou recentemente em 50 mil o número de milicianos, parte dos quais treinados pela Kopassus, uma tropa de elite indonésia temida por sua violência.
Guiados pela fome, pequenos grupos de refugiados sentiram-se seguros para voltar ontem a Liquisa, cidade cercada pela cadeia de montanhas e pela praia. Mas muitos, apesar da presença das tropas de paz, disseram não estar preparados para permanecer. ‘‘Ainda temos medo’’, disse Gelesmino da Costa, que sobreviveu comendo bananas e cocos nas últimas três semanas. ‘‘Voltaremos para as montanhas.’’
A ONU estimou ontem que a comunidade internacional precisará gastar mais de US$ 100 milhões nos próximos seis meses para reconstruir a vida de de centenas de milhares de leste-timorenses e anunciou que espera enviar ajuda humanitária ao devastado interior de Timor Leste assim que a segurança estiver garantida.
A Indonésia lamentou ontem as mortes na onda de violência desencadeada pelas milícias pró-indonésias em Timor Leste. ‘‘Gostaria de expressar o profundo pesar do povo indonésio pelas perdas de vidas’’, declarou o ministro indonésio da fazenda, Boediono, na Assembléia anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, em Washington. Ele também garantiu que seu país respeita resultado do plebiscito. O FMI congelou os empréstimos para a Indonésia.Chefe miliciano deu ultimato de três semanas para que a Interfet pare com ‘‘atos de violência’’ e liberte os prisioneiros
France PresseSOBRAS DA GUERRAMenino brinca na praia de Laga diante de veículos destruídos durante confronto entre timorenses e a milícia pró-Indonésia

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