São Paulo - As tropas americanas mataram 35 membros da milícia armada Al Mahdi em uma série de confrontos durante a noite em Sadr City, no subúrbio de Bagdá (capital iraquiana), informou o porta-voz das forças de coalizão, general Mark Kimmitt.
  Em um deles, aviões dos EUA destruíram o escritório do clérigo xiita radical Moqtada al Sadr em Bagdá. O xeque Abdul Hadi al Darraji, um porta-voz de Al Sadr, afirmou que o ataque ocorreu por volta da meia-noite de anteontem. Na mesma hora, soldados norte-americanos também abriram fogo em ruas da vizinhança, destruindo um carro e uma casa, afirmou Al Darraji.
  Ontem o representante do líder rebelde em Najaf (cidade ao sul do país), Qais al Khazali, afirmou que a milícia liderada pelo rebelde Al Sadr vai dispersar seus confrontos contra as tropas americanas pelo Iraque.
  ‘‘Nós entramos em uma segunda fase da resistência e nossa paciência com as forças de ocupação terminou’’, disse Al Khazali. ‘‘Nossa política agora é estender a resistência e movê-la por todo o Iraque por causa da escalada militar dos ocupantes e por eles terem cruzado todas as ’linhas vermelhas’ das cidades sagradas de Karbala e Najaf [ao sul do Iraque]’’.
  Na última quinta-feira, confrontos entre as forças de coalizão e rebeldes xiitas deixaram ao menos 40 iraquianos mortos, segundo o capitão Roger Maynulet, comandante de uma companhia do 2º Regimento Armado da Cavalaria.
  O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, reafirmou ontem a sua confiança no secretário da Defesa Donald Rumsfeld, considerando que ele estava realizando ‘‘um ótimo trabalho’’, e destacou que seu objetivo permanecia transferir a soberania aos iraquianos no dia 30 de julho.
  ‘‘Você lidera corajosamente nosso país na guerra contra o terrorismo. Você está fazendo um ótimo trabalho, e nosso país lhe deve gratidão’’, elogiou Bush durante um discurso pronunciado depois de uma reunião no Pentágono, referindo-se a Rumsfeld.
  Diversas pessoas pediram nestes últimos dias a demissão de Rumsfeld por causa do escândalo sobre as sevícias infligidas por soldados americanos a prisioneiros iraquianos.
  O Senado dos Estados Unidos aprovou ontem por unanimidade uma resolução que condena severamente as torturas contra detentos iraquianos e apresentou desculpas às vítimas. ‘‘O Senado condena da forma mais severa possível os atos hediondos cometidos na prisão de Abu Ghraib, e se soma ao presidente para apresentar desculpas pelas humilhações sofridas pelos prisioneiros no Iraque e suas famílias’’, ressalta o texto, que também pede que os culpados sejam punidos pela justiça.
  O escândalo afeta particularmente o atual presidente, a menos de seis meses da eleição presidencial de 2 de novembro. Seu adversário democrata, o senador de Massachusetts (noreste) John Kerry, e vários meios de comunicação americanos pediram a renúncia de Rumsfeld.

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