Associated Press
Tropas britânicas e francesas entraram ontem ao amanhecer na província sérvia de Kosovo, abrindo caminho para o contingente de 50 mil militares da força internacional de paz, a Kfor, que deverá entrar na região à medida em que as forças de segurança sérvias forem se retirando. Os primeiros veículos britânicos alcançaram a capital Pristina por volta das 11 horas, horário de Brasília. A unidade britânica, constituída por uma coluna de blindados e de transporte de tropas acompanhada por helicópteros Chinook e Puma - entrou no território iugoslavo pelo posto fronteiriço de Blace, ao norte de Skopje, capital da Macedônia - onde estão concentradas as tropas da organização do tratado do Atlântico Norte (Otan).
Simultaneamente, a oeste do povoado de Dumanovce, 1,25 mil soldados franceses divididos em duas colunas ingressavam em Kosovo. Uma delas ficou bloqueada pela manhã em uma região minada e teve de esperar a passagem de veículos especializados na desativação dos explosivos. A primeira fase de deslocamento da Kfor deve durar três dias e assegurar a abertura das principais vias de comunicação e a instalação do comandante da força, o general britânico Mickael Jackson, em Pristina.
Temendo a chegada das tropas da Otan e a retaliação dos albaneses étnicos, milhares de sérvios de Kosovo começaram a deixar a província. Cerca de 3 mil deles chegaram ontem pela manhã à vizinha República de Montenegro (que, com a Sérvia, forma a Iugoslávia). A grande maioria dos refugiados são crianças e idosos. Antes da guerra, os sérvios constituíam cerca de 10% da população de 2 milhões de pessoas em Kosovo. A ONU teme que com o gradual retorno dos albaneses étnicos comece uma fuga dos 200 mil sérvios kosovares. A surpreendente chegada dos russos a Pristina, na madrugada de ontem, provocou euforia entre a comunidade sérvia, mas não deteve o êxodo. O representante da Rússia na Otan, general Victor Zavarzin, que liderou a entrada das tropas russas em Pristina - um contingente de mais de 200 soldados - continua na cidade e aparentemente não vai se retirar de lá.
Pelo contrário, os militares receberão reforços, disseram ‘‘fontes’’ do Ministério da Defesa russo à agência Interfax. Ontem, um grupo de generais russos partiu para Skopje para discutir diretamente com os generais do Pentágono o papel das tropas russas que irão integrar a Kfor, informou o Ministério da Defesa russo. Antes de deixar Moscou, segundo a agência Itenrfax, um membro da delegação russa indicou que o país pedirá que a zona noroeste da província seja confiada à Rússia. Por sua vez, o comandante supremo das forças da Otan, general Wesley Clark, declarou ontem em Bruxelas que as tropas russas que estão na província sérvia deverão ser ‘‘integradas em um comando unificado e efetivo’’ na força internacional de paz.
Ele disse ter ficado ‘‘satisfeito’’ com a participação dos russos na Kfor e sua entrada em Pristina na madrugada de ontem, antes dos contingentes dos países membros da Otan. Clark insistiu em dizer que os conceitos ‘‘unificado’’ e ‘‘efetivo’’ são questões-chave na Kfor. A aliança atlântica tentou minimizar a iniciativa russa. Os dirigentes russos tomaram a decisão de levar suas tropas para Kosovo depois de ter ficado claro que a Otan tinha a intenção de prolongar as discussões sobre o deslocamento das forças de paz na região e não iriam deixar nenhuma área sob o comando da Rússia.
A agência Interfax destacou ontem que o subsecretário americano de Estado, Strobe Talbott, ‘‘não aceita nenhum dos planos de envio de tropas russas para Kosovo proposto pela delegação do país’’. No entanto, os enviados americanos mostraram-se ontem confiantes após uma reunião pela manhã com o chanceler russo, Igor Ivanov.Força de paz da Otan começou a entrar em Kosovo ontem de manhã. Contigente russo se antecipou e foi recebido com festa durante a madrugada
France PresseAliadosA surpreendente chegada dos russos a Pristina na madrugada provocou euforia entre a comunidade sérviaFrance PresseForça de pazTropa britânica entrou em Kosovo na fronteira com a Macedônia

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