Tropa israelense mata 19 palestinos em Gaza
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terça-feira, 18 de maio de 2004
Agência Folha 
São Paulo - Apoiadas por helicópteros e cerca de 60 blindados, tropas israelenses entraram ontem no campo de refugiados de Rafah, na maior operação militar dos últimos anos na faixa de Gaza. Pelo menos 19 palestinos morreram dez em ataques com mísseis, nove atingidos por tiros.
Segundo Israel, a maioria dos mortos seriam terroristas. De acordo com os palestinos, nove civis morreram, entre eles os irmãos Asma Mughayer, 16, e Ahmed, 13, atingidos quando voltavam para casa. O Exército disse que o objetivo da ação iniciada ontem, que não tem prazo para terminar, é destruir túneis que ligam Gaza ao Egito, por onde haveria contrabando de armas.
Segundo nota da Embaixada de Israel no Brasil, oito túneis foram descobertos em Rafah no último mês e mais de 90 desde setembro de 2000 (início da Intifada). Soldados realizaram buscas casa a casa. Khaled al Assar, 38, eletricista, diz ter se refugiado com a mulher e cinco filhos em um cômodo. ''As crianças estavam morrendo de medo, houve uma forte explosão, elas começaram a gritar e a chorar'', disse Al Assar.
O Exército negou ter planos de destruir centenas de casas em Rafah para alargar a faixa de segurança que Israel mantém na fronteira entre Gaza e o Egito. Na semana passada, 13 soldados morreram em ataques de grupos terroristas palestinos em Gaza, cinco na faixa de segurança em Rafah.
Quatro casas foram destruídas ontem e quase cem na semana passada. O líder palestino Iasser Arafat definiu a ação em Rafah como um ''massacre planejado''. Já o presidente dos EUA, George W. Bush, qualificou a violência como ''perturbadora'', mas disse que Israel tem ''todo o direito de se defender do terrorismo''.
A União Européia e a ONU condenaram a destruição de casas. Segundo a Anistia Internacional, cerca de três mil casas de palestinos foram demolidas desde o início da Intifada (levante palestino) nos territórios ocupados. O agravamento da violência ocorre no momento em que o premiê israelense, Ariel Sharon, tenta obter apoio para uma retirada unilateral de 7500 colonos israelenses de Gaza, assim como das tropas que os protegem.
Sharon sustenta que a saída de Gaza trará mais segurança para Israel, mas não quer dar a impressão de que está saindo por causa da ação de terroristas. Por isso realiza ações duras contra eles. Israel qualifica todas as ações armadas de palestinos como terroristas. Mas os palestinos dizem que ataques ao Exército israelense nos territórios palestinos são atos de resistência contra a ocupação.
Pesquisas mostram que a maioria em Israel apóia a saída de Gaza, mas o plano foi rejeitado pelo partido de Sharon, o Likud. Para os adversários, o plano premia o terrorismo ao devolver Gaza sem exigir concessões. O premiê o reapresentará com mudanças. O plano é apoiado pelos EUA, pela União Européia, pela ONU e pela Rússia (o ''Quarteto'').


