Atrás nas pesquisas nacionais mas à frente de seu rival republicano na maioria dos estados mais populosos, que têm maior peso na definição das eleições presidenciais americanas, Albert Gore intensificou ontem seus ataques contra o programa econômico proposto por George W. Bush, dizendo que o retorno dos conservadores à Casa Branca representaria uma volta aos ‘‘déficits (fiscais) e à (expansão da) dívida (pública) do passado’’ e ameaçaria a continuação do mais longo período de prosperidade da história dos Estados Unidos.
‘‘Trabalhamos duro demais para (construir) esta econômia para colocá-la em risco’’, disse. Sua mulher, Tipper, e o candidato a vice, o senador Joseph Lieberman, passaram a colocar em dúvida a experiência de Bush para governar os EUA.
Bush contra-atacou acusando Gore de querer arrastar o país de volta à era do governo intervencionista e tentar aterrorizar os idosos com ‘‘falsidades’’ sobre sua proposta de privatização parcial da previdência social. ‘‘Os gastos maciços prometidos por Al Gore significariam menos crescimento, impostos mais altos e poderiam levar ao fim da nossa prosperidade.’’
A mais estranha e acirrada disputa presidencial nos EUA em 40 anos chega ao derradeiro fim de semana da campanha com os candidatos tirando as luvas e um número cada vez maior de analistas prevendo a possibilidade de um desencontro entre os resultados da votação popular e da distribuição dos 538 votos do colégio dos ‘‘grandes eleitores’’ que, segundo a constituição americana, define o vencedor.
Embora Bush lidere na maioria dos estados e mantenha vantagem de 2% a 3% sobre seu oponente nas pesquisas nacionais, a distribuição geográfica da preferência popular não o favorece. Bush pode perder a eleição mesmo ganhando a votação em 30 estados.

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