Jerusalém, Israel - Um tribunal egípcio decidiu ontem impedir a candidatura de líderes do Partido Nacional Democrático para a eleição presidencial prevista para os dias 26 e 27 deste mês. A decisão foi anunciada pelo juiz Karim Hazim, que não especificou quais políticos estão impedidos de concorrer ao pleito. O Partido Nacional Democrático foi dissolvido há três anos, quando manifestações populares depuseram seu líder, o ex-ditador Hosni Mubarak.
É esperado que o ex-militar Abdel Fattah al-Sisi vença as eleições presidenciais. Visto como um dos mentores do golpe de Estado que retirou do poder o islamita Mohamed Morsi, Sisi é extremamente popular no país.
A provável vitória de Sisi, no entanto, preocupa analistas, que apontam uma guinada não democrática na política egípcia. Morsi havia sido o primeiro presidente democraticamente eleito no Egito, substituindo uma longa ditadura. A eleição de um ex-militar é enxergada por seus oponentes como um retorno às décadas de repressão.
O governo interino levado ao poder por Sisi, em julho de 2013, tem perseguido violentamente seus inimigos políticos, em especial os seguidores da Irmandade Muçulmana, da qual Morsi faz parte. Islamitas foram mortos às centenas, e parte deles foi condenada à morte em julgamentos considerados irregulares pela comunidade internacional. Entre os sentenciados à pena de morte está Mohamed Badie, o líder supremo da organização. Com a vitória de Sisi dada por certa, há interesse no voto parlamentar que deve seguir o pleito presidencial. Políticos liberais temem o retorno de membros da ditadura de Mubarak.
A Irmandade Muçulmana, por sua vez, é atualmente considerada ilegal no país. Sisi afirmou na segunda-feira que o grupo islamita está "terminado" e deixará de existir assim que ele se tornar presidente.

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