Tribunal rejeita recurso da família de Jean Charles
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quarta-feira, 30 de março de 2016
France Presse 
Estrasburgo, França - O Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH) rejeitou ontem o recurso da família do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto pela polícia britânica por engano em 2005, ao confundi-lo com um terrorista duas semanas depois de uma série de atentados em Londres.
O tribunal de Estrasburgo afirmou que a justiça britânica realizou uma "investigação efetiva" sobre a morte de Jean Charles, embora "nenhum dos policiais envolvidos" tenha sido alvo de procedimentos penais individuais. "As autoridades do Reino Unido não faltaram com a obrigação que tinham (...) de realizar uma investigação efetiva sobre a morte do senhor Menezes", informou.
A decisão, adotada por 13 dos 17 juízes da Grande Câmara do TEDH, a instância suprema do tribunal, é definitiva.
A família do brasileiro questionava o tratamento judicial do caso, porque nenhum policial foi alvo de procedimentos penais individuais, já que o Ministério Público considerou que não havia provas suficientes para processá-los.
O caso ocorreu em um contexto de tensão e de luta antiterrorista após os atentados suicidas lançados nos transportes londrinos em 7 de julho de 2005, e desencadeou uma polêmica na Grã-Bretanha.
A polícia, que seguia a pista de dois suspeitos que viviam no mesmo endereço que Jean Charles de Menezes, seguiu o brasileiro, eletricista de 27 anos, em 22 de julho. Na véspera, uma série de bombas não detonadas foram encontradas em várias estações de metrô e ônibus de Londres.
Policiais das forças especiais, convencidos de que se tratava de um suicida, dispararam contra Jean Charles quando ele ia entrar no metrô em direção ao seu trabalho e o mataram com vários tiros na cabeça. "Neste caso, um homem completamente inocente foi morto deliberadamente por agentes do Estado", lembrou na audiência, em junho de 2015, Hugh Southey, advogado da prima de Jean Charles, que apresentou o recurso ante o tribunal de Estrasburgo.
A representante das autoridades britânicas, Clare Montgomery, respondeu que os policiais não foram processados porque o Ministério Público considerou que estavam convencidos de que se tratava de um suicida. No entanto, a Scotland Yard foi alvo "em seu conjunto" de um procedimento judicial e condenada a pagar uma multa por falhas.
Uma comissão de investigação independente da polícia havia decidido na época tomar ações disciplinares.


