A Suprema Corte de Israel julgou que estrangeiros podem ser detidos como ‘‘carta de barganha’’ em negociações sobre militares desaparecidos, mostraram ontem documentos liberados pela corte. A decisão representa uma rara admissão pública de que Israel está mantendo detidos sem julgamento membros do movimento pró-iraniano Hizbollah, que luta para expulsar tropas israelenses de uma zona de ocupação no sul do Líbano.
Israel tem sido duramente criticado por alegações de que tem capturado e encarcerado cidadãos libaneses. A corte reconheceu que a prática viola direitos humanos mas considerou que os ‘‘interesses vitais’’ de Israel têm precedente.
O tribunal reverteu deliberações que impediam que a mídia divulgasse a prisão de 10 libaneses, que tinham entrado com uma petição contra a detenção deles. Os juízes rejeitaram o pedido.
Documentos da corte mostraram que oito dos 10 homens são membros do Hizbollah e os outros dois participam de grupos que lutam ao lado do movimento pró-iraniano. Todos os libaneses estão detidos sem julgamento. Alguns estão encarcerados há mais de quatro anos, segundo os documentos.
Nos autos da corte obtidos pela Reuters, o chefe de Justiça da Suprema Corte, Aharon Barak, escreveu, numa decisão de maioria, que a libertação dos 10 poderia ser um ‘‘golpe fatal’’ nas negociações para o retorno de israelenses desaparecidos.
‘‘Estou convencido de que a detenção dos indivíduos pelo bem da libertação de nossos homens desaparecidos e capturados constitui um interesse vital do Estado’’, escreveu Barak. Ele referiu-se aos detidos como ‘‘cartas de
barganha...capturados para se alcançar um objetivo’’.

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