São Paulo - A Justiça do Egito indiciou ontem o presidente deposto Mohammed Morsi por conspiração para ações terroristas. Ele também é acusado de fazer espionagem para beneficiar organizações estrangeiras, como o palestino Hamas.
Morsi está preso desde 3 de julho, quando foi derrubado pelos militares que agora compõem o governo do país. Em agosto, o Tribunal do Cairo manteve sua ordem de prisão e o acusou de associação com o Hamas para fazer a rebelião que o liberou em meio à revolta que derrubou o ditador Hosni Mubarak, em 2011.
Em comunicado, o procurador-geral disse que a Irmandade Muçulmana, grupo de Morsi, cometeu atos de violência e terrorismo no Egito e preparou um "plano terrorista" que incluía uma aliança com Hamas e o Hezbollah, do Líbano.
Ao lado dele, serão julgados 34 dirigentes da Irmandade Muçulmana, da qual o ex-presidente islamita procede, como o guia supremo Mohammed Badie. Todos responderão por espionagem para organizações estrangeiras com o objetivo de fazer atos terroristas no país.
Eles também foram acusados de divulgar segredos de Estado para outro país, financiamento do terrorismo e atentado contra a integridade territorial. O presidente deposto ainda foi acusado pelos juízes de ser cúmplice na morte de manifestantes durante os protestos que precederam sua queda, em junho.
O julgamento sobre o caso deverá ser retomado em 8 de janeiro. Os dirigentes fazem parte do grupo de mais de 300 islamitas que foram presos desde que Morsi foi retirado do poder. Desde então, os seguidores da Irmandade Muçulmana fazem protestos frequentes contra o governo interino.
Após mais de 1,2 mil pessoas morrerem nos primeiros 45 dias após a deposição de Morsi, o presidente interino Adly Mansour decretou toque de recolher, que ficou vigente até novembro. No mês passado, no entanto, foi aprovada uma lei que proíbe as manifestações sem autorização, apertando o cerco contra os islamitas.

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