ABC ColorPivô da criseMesmo preso, o general Lino Oviedo é o candidato coloradoO presidente do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE), Carlos Alberto Mojoli, de 58 anos, garantiu que o adiamento das eleições paraguaias é ‘‘impossível’’. Disse também que são ‘‘mentirosas’’ as acusações de setores do Partido Colorado, de que ele lideraria um ‘‘complô’’ com a oposição para prejudicar a legenda que domina a política paraguaia há 50 anos.
Mojoli rechaçou as denúncias de que as eleições internas coloradas teriam sido fraudadas em favor do candidato vencedor, Lino Oviedo, e negou que o tribunal cometeu irregularidades no cadastramento de eleitores para o pleito de 10 de maio.
Folha - Há a possibilidade de que as eleições sejam adiadas?
Carlos Alberto Mojoli - É impossível. A Constituição não permite isso. As eleições serão realizadas em 10 de maio, de qualquer maneira.
ABC ColorSob pressãoO presidente Wasmosy nega adiamento, mas tenta minar Oviedo
Folha - Os colorados acusam o senhor de liderar um complô com a oposição.
Mojoli - Na verdade, as acusações não são do Partido Colorado, mas de alguns integrantes do partido. Eles estão mentindo. Não há nenhum complô.
Folha - Eles dizem que houve fraude nas eleições internas do Partido Colorado. Isso realmente ocorreu?
Mojoli - Nesse caso, eles deveriam provar as fraudes. Eles aceitaram todas as regras e os resultados. Se tivessem constatado fraudes durante a votação, deveriam denunciar isso às autoridades das mesas. As denúncias não podem ser generalizadas, têm que ser específicas, detalhadas e concretas. Eles fazem generalizações, primeiro com a impugnação à inscrição de eleitores nas listas de votação, depois com as eleições internas, depois com as atas de vários partidos. Falam que há falsificações, mas não explicam como isso aconteceu. Não explicam por que essas denúncias só estão sendo feitas agora. Se fizéssemos o jogo dos políticos, não teríamos eleições nunca.
ABC Color‘‘Complô’’Luis María Arga¤a, presidente colorado, defende o adiamento
Folha - Eles também denunciam falhas do Tribunal Eleitoral...
Mojoli - Agora estão denunciando que há problemas nos padrões (lista, por ordem alfabética, dos eleitores que votam em uma determinada localidade). Todas as listas formam o padrão nacional. Os eleitores são divididos em duas classes: os paraguaios natos ou naturalizados e os estrangeiros que moram aqui. Os estrangeiros só podem votar na eleição municipal. Agora (na eleição nacional), só votarão os paraguaios. Eles (os colorados) dizem que há erros no padrão nacional. Afirmam que há pessoas sem endereço. Mas no Paraguai há localidades muito pequenas, em que as ruas não têm nome. Por isso, colocamos só o nome da localidade. É impossível inventar o nome de uma rua e um número se eles não existem.
Folha - Mas os colorados falam em cerca de 1 milhão de eleitores nessas condições. Não é um número muito alto?
Mojoli - Na realidade, não temos ainda os números fechados, mas eles não chegam a 1 milhão. O Partido Colorado tem fiscais trabalhando junto à Justiça Eleitoral e essas pessoas nunca denunciaram irregularidades.
Folha - Há a possibilidade de o tribunal revisar essa questão?
Mojoli - Ocorre que o prazo para se questionar esse padrão junto ao tribunal esgotou-se em novembro. O objetivo deles é reabrir etapas já encerradas. Isso é impossível. Além disso, a base do padrão nacional deste ano é o padrão de 1996, que teve uma pureza de 98%. Foi um verdadeiro exemplo mundial, reconhecido pela Organização dos Estados Americanos (OEA).
Folha - O senhor acredita que as denúncias são uma manobra para adiar as eleições?
Mojoli - Creio que eles têm dois objetivos: 1) adiar as eleições e 2) semear uma semente para um futuro pedido de anulação das eleições. Denunciando qualquer coisa hoje, no futuro terão motivo para pedir a anulação. Isso é ruim porque virou uma coisa cheia de insultos, ataques pessoais e imputações falsas. Tentam distrair nossa atenção para que haja enfrentamento pessoal. Mas não me ofendo até 10 de maio. Só o que me interessa é cumprir meu trabalho.

mockup