Jerusalém, Israel - Mohamed Morsi, presidente egípcio deposto no início do mês, teve ontem sua prisão decretada pelas autoridades do país. Ele deve permanecer 15 dias detido por um rol de acusações que inclui as mortes de soldados e conspiração com o grupo militante palestino Hamas.
O islamita é mantido incomunicável em lugar desconhecido desde o golpe militar que o retirou do poder, em 3 de julho, na sequência de manifestações em massa contra seu governo. Mas, até então, não havia uma acusação formal contra ele.
Foram realizadas ontem manifestações tanto de simpatizantes de Morsi quanto da oposição secular que pediu sua deposição e insiste nos planos de transição política coordenados pelo presidente interino Adly Mansour, anteriormente líder da Suprema Corte Constitucional.
A Irmandade Muçulmana, à qual o islamita está ligado, afirma que as acusações contra o ex-presidente são "ridículas". "Acreditamos que mais pessoas vão perceber o que esse regime realmente representa - um retorno ao antigo Estado do [ex-ditador Hosni] Mubarak", afirmou o porta-voz Gehad el-Haddad.
Morsi está sob investigação por sua fuga de uma prisão no norte do Cairo em 2011, ao lado de outros líderes da Irmandade. Há suspeita de que houve participação do Hamas no incidente, o que constituiria uma grave interferência externa, por lei egípcia.
Entre as acusações contra o islamita está portanto a de "colaboração com o Hamas para efetuar atos agressivos no país, atacando estrutura policial e soldados", de acordo com informação da mídia estatal.
Diante dos esforços das Forças Armadas do Egito em combater militantes islamitas no deserto do Sinai e também da repressão a membros do Hamas na fronteira com a faixa de Gaza, incluindo a destruição de túneis ilegais, a acusação da Justiça egípcia também toca nas relações agora complicadas entre o país e a facção palestina.

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