Antes de serem transferidos para a base militar, em setembro de 2006, os réus foram mantidos em prisões secretas. A CIA admite que Mohammed foi submetido a simulações de afogamento -um método de tortura condenado por organizações de direitos humanos, mas autorizado pelo presidente George W. Bush no pacote de medidas de exceção aprovado após os ataques terroristas de 2001.
Ali Abdul Aziz Ali, Ramzi Binalshibh, Mustafa Ahmed al Hawsawi e Walid bin Attash, os outros réus do processo, são acusados de ajudar a aliciar, treinar e financiar os 19 sequestradores envolvidos nos ataques. É a primeira aparição pública dos detidos desde as prisões, em 2002 e 2003.
A Promotoria quer que o julgamento comece em 15 de setembro. Os advogados dos réus afirmam que a data foi escolhida para influenciar as eleições presidenciais de novembro.
O processo dos acusados pelo 11 de Setembro é o mais complexo já levado aos tribunais de exceção de Guantánamo, que julgam os chamados ''combatentes inimigos'' da guerra ao terror americana. Até hoje, oito réus foram formalmente acusados nesses tribunais -processos anteriores a 2006 foram arquivados quando a Suprema Corte determinou a ilegalidades dos julgamentos feitos por comissões militares.
Criado pela Presidência em novembro de 2001, o sistema de comissões militares foi reintroduzido pelo Congresso, com modificações, em setembro de 2006, meses após o veto da Suprema Corte. Embora comissões militares tenham existido no país desde o fim da Guerra Civil (1861-1865), até 2001 elas jamais tiveram como objetivo julgar acusados de participarem de um conflito em andamento.
Ao contrário de outros tribunais civis ou militares americanos, o sistema usado em Guantánamo admite provas obtidas através dos chamados ''métodos duros de interrogatório'', desde que aprovados pelo juiz e realizados antes de 2006. Técnicas como a simulação de afogamento não são classificadas como tortura pelo governo americano -o que invalidaria o uso de confissões arrancadas dos suspeitos.
Os detidos de Guantánamo, aos quais não se aplicam os princípios das Convenções de Genebra de proteção aos prisioneiros de guerra, estão em um limbo jurídico. O governo de George Bush considera que eles não gozam das garantias constitucionais porque são estrangeiros mantidos fora de território soberano dos EUA.
Julgamento da Suprema Corte deve determinar neste mês os direitos dos detentos de Guantánamo, e pode adiar ou mesmo anular os procedimentos do tribunal. Os presidenciáveis John McCain (republicano) e Barack Obama (democrata) se declararam favoráveis ao fechamento do centro de detenção.(France Presse)

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