Tribunal confirma pena de morte para Ocalan
Associated Press
De Ancara
Um tribunal de apelações de Ancara confirmou ontem a sentença de pena de morte para o líder curdo Abdullah Ocalan, considerado culpado por traição e separatismo por liderar a luta pela criação de um estado independente na região sudeste da Turquia.
Aproximadamente 100 parentes de soldados turcos mortos na luta contra os guerrilheiros curdos na qual cerca de 37 mil pessoas morreram reuniram-se em frente ao tribunal e gritaram frases como Vida Longa à Justiça e Ouça, Europa! depois que o juiz Demirel Tavil leu o veredicto. Mais tarde, uma multidão calculada em mil pessoas saiu em passeata até o Parlamento, cantando Aprovem a Execução!
A sentença agora terá que ser endossada pelo Parlamento e pelo presidente turco, Suleyman Demirel, antes que a execução seja concretizada. Os aliados europeus da Turquia alertaram repetidas vezes que a execução de Ocalan deverá prejudicar os esforços do país para se tornar membro da União Européia. Embora os tribunais já tenham aprovado dezenas de sentenças de morte, os casos permanecem retidos no Parlamento.
Em um breve comunicado, o tribunal turco declarou que o julgamento anterior de Ocalan havia sido realizado em conformidade com os procedimentos legais. O pedido de apelação foi rejeitado, acrescentou.
A defesa de Ocalan havia solicitado um novo julgamento sob alegação de que o líder curdo fora impedido de se reunir com seus advogados, teve que permanecer em uma gaiola de vidro durante as audiências e, ainda, que sua captura por autoridades turcas no Quênia, em fevereiro deste ano, fora ilegal.
Por sua vez, o próprio Ocalan argumentou que está tentando transformar seu grupo guerrilheiro, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, em um partido político. Além disso, sustentou que sua morte na forca apenas serviria para desatar um novo derramamento de sangue.
O veredicto da corte de apelações foi anunciado em um momento difícil para a Turquia. Na semana passada, o país foi sede da reunião de cúpula da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa. E, em três semanas, os turcos deverão apresentar sua proposta de integração à União Européia, cujos membros estarão reunidos em Helsinque, Finlândia.





