Tribunal condena militares argentinos
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quinta-feira, 07 de dezembro de 2000
France Presse De Roma 
Os ex-generais argentinos Carlos Guillermo Suárez Mason e Omar Santiago Riveros foram condenados à prisão perpétua ontem em Roma pela Segunda Corte Criminal pelo desaparecimento e morte de oito ítalo-argentinos durante a ditadura militar (1976-1983).
A Segunda Corte, presidida pelo juiz Mario DAndria, composta por 10 jurados populares, emitiu a sentença depois de quatro horas de deliberações.
Outros cinco militares argentinos foram condenados a 24 anos de reclusão à revelia pelo desaparecimento e morte de cidadãos ítalo-argentinos.
Com um demorado e emocionado aplauso foi recebida a sentença pelos parentes das vítimas presentes na sala de máxima segurança da prisão de Rebibbia, onde se realizaram todas as audiências do processo, iniciado a 21 de outubro de 1999.
Alguns parentes das vítimas, como Estela Carlotto, presidente da organização humanitária Avós da Praça de Maio, mãe e avó de dois dos casos julgados, explodiram em pranto. Este é um exemplo da Itália para o mundo, afirmou Estela Carlotto com a voz embargada.
Os quatro suboficiais condenados de Tigre (a poucos quilômetros de Buenos Aires), Julio Roberto Rossin, Alejandro Puertas, José Luis Porchetto e Omar Maldonado, assim como o ex-prefeito dessa região, Juan Carlos Girardi, foram condenados pelo desaparecimento do sindicalista Martino Mastinu, mas foram absolvidos pela morte de Mario Marras, cujo corpo foi encontrado com 13 balas em 1976.
O ex-general Suárez Mason, atualmente em prisão domiciliar na Argentina pelo roubo de bebês nascidos em cativeiro, foi condenado à prisão perpétua pelo homicídio com agravantes nos casos de Laura Estela Carlotto, Roberto Julio Morresi irmão de Claudio Morresi, destacado ex-futebolista da seleção argentina Pedro Luis Mazzochi, Daniel Jesús Ciuffo e Luis Alberto Fabbri e pelo desaparecimento do bebê Guido Carlotto, filho de Laura Estela.
Durante o processo foram ouvidos mais de 70 testemunhos das atrocidades cometidas pela ditadura militar argentina. Dos 600 casos denunciados à Justiça italiana em 1983, os juízes decidiram que havia elementos para abrir um processo em somente oito deles. O processo, que teve numerosos contratempos, chegou a ser arquivado e reaberto por ordem do ministério da Justiça italiana.


