Tribunal condena ex-presidente da Libéria
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quinta-feira, 26 de abril de 2012
Folhapress 
São Paulo - Uma corte internacional decidiu ontem que o ex-presidente da Libéria Charles Taylor é criminalmente responsável por crimes de guerra e crimes contra a humanidade, por apoiar os notoriamente brutais grupos rebeldes de Serra Leoa.
Ainda não houve o anúncio formal do veredicto contra o homem de 64 anos, mas o juiz que preside o julgamento Richard Lussick disse que os promotores haviam provado, além da dúvida razoável, que Taylor é ''criminalmente responsável'' por ajuda e cumplicidade em crimes cometidos pelos rebeldes durante uma brutal guerra civil.
O ex-ditador havia alegado inocência em 11 acusações, incluindo assassinato, estupro, terror e ''recrutamento'' de crianças soldados.
Dessa forma, o ex-presidente da Libéria se converteu no primeiro ex-chefe de Estado condenado pela Justiça internacional. A pena será ditada somente no dia 30 de maior e Taylor deve cumprir a sentença em uma prisão britânica.
Perfil
O tribunal considerou Taylor ''penalmente responsável'' por sua participação na guerra civil da Libéria, que causou 50 mil mortes e durou cerca de dez anos.
Presidente da Libéria entre 1997 e 2003, ele foi acusado de facilitar armas, em troca de diamantes, aos rebeldes da FRU (Frente Revolucionária Unida), de Serra Leoa, que mataram, escravizaram e mutilaram dezenas de milhares de pessoas, de acordo com o Tribunal Especial para Serra Leoa.
Ex-guerrilheiro, Taylor nasceu em 29 de janeiro de 1948, em Arthington, a 25 quilômetros da capital liberiana Monróvia, em uma família de 15 irmãos.
Após estudar Economia na Universidade de Boston (EUA), ele voltou à Libéria em abril de 1980, após um golpe militar. Após uma acusação de desvio de dinheiro, foi preso nos EUA, mas conseguiu escapar em 1985 e exilou-se na Líbia, sob a proteção de Muamar Kadafi.
Em 1989, participou de um golpe de Estado na Libéria, que desencadeou a primeira guerra civil no país. Após negociações de paz intermediadas pelas Nações Unidas, chegou ao poder com 75,3% dos votos em 1997.
Foi durante seu mandato, de acordo com as acusações, que Taylor forneceu armas aos rebeldes de Serra Leoa, em troca dos chamados ''diamantes de sangue''.
Em 2003 o guerrilheiro anunciou sua renúncia, após seu país sofrer sanções das Nações Unidas, e ele mesmo ser alvo de um processo no Tribunal Especial para Serra Leoa, criado em 1996 com apoio da ONU.
Em 2006, após anos de fugas, foi capturado enquanto tentava fugir da Nigéria, ao saber que o governo desse país havia concordado com sua deportação. Nesse mesmo ano, o ex-presidente liberiano foi transferido para Haia (Holanda) para ser julgado.


