São Paulo - O Tribunal Penal Supremo do Iraque adiou até hoje o julgamento do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein e de seis de seus ex-assessores por genocídio contra o povo curdo. O presidente da corte, o juiz Abdullah al Amiri, fez o anúncio após finalizar a sessão, que havia inaugurado pela manhã perante os sete acusados, incluindo Saddam e seu primo, Ali Hassan Al Majid, apelidado de ''Ali, O Químico''.
As acusações apresentadas neste novo julgamento se referem aos ataques lançados contra o Curdistão iraquiano na denominada campanha de ''Al Anfal'', em 1987 e 1988, quando milhares de curdos foram assassinados. Saddam e seu primo guardaram silêncio ao serem questionados pelo presidente da corte, um xiita, se se consideravam culpados, enquanto os demais acusados responderam que ''não''.
O ex-governante e sete de seus antigos colaboradores são réus em um outro julgamento, inaugurado em outubro passado, em relação ao massacre de 148 xiitas após uma suposta tentativa de assassinato contra o ex-ditador na aldeia de Dujail, em 1982.
Acusação Saddam se irritou ontem à tarde com o promotor, ameaçando ''persegui-lo'' se as acusações de estupro cometidas por suas tropas não fossem comprovadas. O fato aconteceu durante a primeira audiência do julgamento sobre genocídio. ''Se ele afirmar que uma só mulher iraquiana foi violentada na minha época e não puder provar, vou persegui-lo até o fim dos meus dias'', ameaçou Saddam, pouco antes do adiamento da audiência para hoje.
''Uma mulher iraquiana violentada na minha época? Sob o governo de Saddam? Saddam não aceitará isso'', prosseguiu. ''Quando libertamos o Kuait, uma mulher árabe, que nem mesmo era iraquiana, foi violentada. Eu organizei um julgamento e o culpado foi executado. Durante três dias, o seu corpo permaneceu pendurado na forca, exposto em público'', afirmou Saddam.
O promotor Munkithe al Farun havia anteriormente acusado Saddam e os outros seis réus de serem responsáveis pela morte de 182 mil pessoas durante a campanha de Anfal contra a população do Curdistão iraquiano, em 1988. ''Diversas armas químicas foram utilizadas, milhares de vilas arrasadas, crianças separadas de seus pais. Mulheres foram aprisionadas, violentadas e torturadas. Somente o orgulho e a dignidade do povo sobreviveram, todo o resto foi destruído'', afirmou.
O procurador enumerou as oito campanhas sucessivas da operação Anfal, entre os dias 22 de fevereiro e 6 de setembro de 1988, nas quais o Exército iraquiano teria recorrido a armas químicas, à artilharia pesada e a ataques aéreos. Munkithe al Farun mostrou à corte fotos de fossas comuns, entre elas uma exibindo o corpo de um bebê com uma mamadeira na boca, enterrado próximo a uma mulher.

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