France PresseJuramentoFabián Arlacón (à direita) presta juramento após ter presidido a reunião do Parlamento que aprovou a destituição do presidenteO destituído presidente Abdalá Bucaram decretou ontem estado de emergência no Equador, onde dois outros políticos reclamam seu cargo enquanto as forças armadas se mantêm à margem da grave crise que abala o país.
O ministro da Defesa, o general reformado Victor Bayas, manifestou que era ‘‘necessário declarar estado de emergência nacional para resguardar a paz no país’’ devido ‘‘à situação de violência que está imperando’’.
O ministro, que esclareceu que a decisão havia sido tomada por Bucaram, explicou que com a medida ‘‘é suspensa a vigência das garantias constitucionais’’ relacionadas com direitos civis como a livre reunião e manifestações públicas, entre outras.
Depois de dois dias de uma greve geral para exigir a destituição de Bucaram, o Equador amanheceu ontem em meio ao vazio de poder.
Na noite anterior - com 44 votos a favor, 34 contra e 2 abstenções - o Congresso unicameral do país destituiu o presidente Bucaram, por ‘‘incapacidade mental’’, baseado no Artigo 100 da confusa Constituição equatoriana. O corpo parlamentar é composto por 82 deputados e a Carta prevê que a maioria simples pode declarar a incapacidade do chefe de Estado, sem que um laudo médico seja necessária.
Tanto Abdalá Bucaram como seu substituto designado pelo parlamento, Fabián Arlacón, se mostraram dispostos a manter o poder a qualquer preço.
A terceira na disputa, a vice-presidente Rosalía Arteaga, que se autoproclamou presidente, disse que poderia negociar.
Rosalía Arteaga, vice-presidente quer o cargo mas aceita negociar
Enquanto isso, os equatorianos voltavam às suas atividades normais depois de uma longa noite de comemorações pela deposição de Bucaram.
À tarde, forças policiais reprimiram com gás lacrimogênio dezenas de manifestantes que se concentravam numa praça em frente ao palácio do governo, onde se encontra entrincheirado Bucanan.
‘‘O senhor presidente da República eleito pelo povo equatoriano estará em seu gabinete dirigindo o país até 10 de agosto do ano 2000’’, declarou Bucaram, apelidado de ‘‘El Loco’’, na manhã de ontem. ‘‘O mandato presidencial é de quatro anos’’, acrescentou.
Alarcón também se mostra irredutível. ‘‘Não penso em dialogar nem com Abdalá Bucaram nem com Rosalía Arteaga porque sou o único presidente constitucional eleito por representantes do povo’’, afirmou numa entrevista coletiva.
Arteaga, ao contrário, disse que estava ‘‘disposta a dialogar com as outras partes a fim de se encontrar uma solução imediata’’.
Depois de chamar a ‘‘um entendimento mediante o diálogo direto a todos os setores políticos e sociais’’, a vice-presidente propôs a convocação imediata de uma consulta popular.
A proposta de Arteaga foi a que mais se aproximou do aparente desejo das forças armadas, que se declararam neutras e pediram aos três políticos que afirmavam exercer a presidência que se entendam ‘‘urgentemente’’.

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