Três políticos se declaram presidentes
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sábado, 08 de fevereiro de 1997
Reuter, de Quito 
France PresseJuramentoFabián Arlacón (à direita) presta juramento após ter presidido a reunião do Parlamento que aprovou a destituição do presidenteO destituído presidente Abdalá Bucaram decretou ontem estado de emergência no Equador, onde dois outros políticos reclamam seu cargo enquanto as forças armadas se mantêm à margem da grave crise que abala o país.
O ministro da Defesa, o general reformado Victor Bayas, manifestou que era necessário declarar estado de emergência nacional para resguardar a paz no país devido à situação de violência que está imperando.
O ministro, que esclareceu que a decisão havia sido tomada por Bucaram, explicou que com a medida é suspensa a vigência das garantias constitucionais relacionadas com direitos civis como a livre reunião e manifestações públicas, entre outras.
Depois de dois dias de uma greve geral para exigir a destituição de Bucaram, o Equador amanheceu ontem em meio ao vazio de poder.
Na noite anterior - com 44 votos a favor, 34 contra e 2 abstenções - o Congresso unicameral do país destituiu o presidente Bucaram, por incapacidade mental, baseado no Artigo 100 da confusa Constituição equatoriana. O corpo parlamentar é composto por 82 deputados e a Carta prevê que a maioria simples pode declarar a incapacidade do chefe de Estado, sem que um laudo médico seja necessária.
Tanto Abdalá Bucaram como seu substituto designado pelo parlamento, Fabián Arlacón, se mostraram dispostos a manter o poder a qualquer preço.
A terceira na disputa, a vice-presidente Rosalía Arteaga, que se autoproclamou presidente, disse que poderia negociar.
Rosalía Arteaga, vice-presidente quer o cargo mas aceita negociar
Enquanto isso, os equatorianos voltavam às suas atividades normais depois de uma longa noite de comemorações pela deposição de Bucaram.
À tarde, forças policiais reprimiram com gás lacrimogênio dezenas de manifestantes que se concentravam numa praça em frente ao palácio do governo, onde se encontra entrincheirado Bucanan.
O senhor presidente da República eleito pelo povo equatoriano estará em seu gabinete dirigindo o país até 10 de agosto do ano 2000, declarou Bucaram, apelidado de El Loco, na manhã de ontem. O mandato presidencial é de quatro anos, acrescentou.
Alarcón também se mostra irredutível. Não penso em dialogar nem com Abdalá Bucaram nem com Rosalía Arteaga porque sou o único presidente constitucional eleito por representantes do povo, afirmou numa entrevista coletiva.
Arteaga, ao contrário, disse que estava disposta a dialogar com as outras partes a fim de se encontrar uma solução imediata.
Depois de chamar a um entendimento mediante o diálogo direto a todos os setores políticos e sociais, a vice-presidente propôs a convocação imediata de uma consulta popular.
A proposta de Arteaga foi a que mais se aproximou do aparente desejo das forças armadas, que se declararam neutras e pediram aos três políticos que afirmavam exercer a presidência que se entendam urgentemente.


