Três dias de confrontos sangrentos na Cidade Santa
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domingo, 01 de outubro de 2000
France Presse De Beirute 
Milhares de palestinos se manifestaram ontem em acampamentos de Beirute e do Líbano do Sul contra os massacres praticados por Israel em Jerusalém e nos territórios ocupados, que deixaram 35 mortos e centenas de feridos desde sexta-feira.
Para Ali Fayçal, responsável pela Frente Democrática de Libertação da Palestina (FDLP, de Nayef Hawatmé), é a primeira vez em muitos anos que os refugiados palestinos do Líbano se manifestam em número tão elevado e de modo tão veemente.
A repressão sangrenta e mortal feita pelo exército israelense contra nossos irmãos em Jerusalém, na Cisjordânia e em Gaza, estão provocando uma grande agitação nos acampamentos do Líbano, assegurou à AFP.
Três mil refugiados marcharam neste domingo nos acampamentos de Chatila e de Burkh Barakhné, na entrada sul de Beirute, gritando Israelenses, assassinos!, Jerusalém é a capital da Palestina e Jerusalém é o lugar santo dos muçulmanos e dos cristãos.
Na véspera, 23 mil palestinos haviam se manifestado nos acampamentos do Líbano, próximos das cidades costeiras de Saida e Tiro.
No acampamento de Burkh Barakhné, vizinho ao aeroporto de Beirute, diversos grupos se reuniram de forma espontânea durante todo o dia, disse à AFP o famoso palestino, Rafat Harb.
No final da tarde, mil palestinos se reuniram na rua principal do acampamento de Burkh Barakhné, levando gigantescas fotografias da mesquita de Al-Aqsa, lugar santo do Islã, conforme comprovou um fotógrafo da AFP.
Em Chatila, dois mil manifestantes desfilaram pelas ruas do acampamento com bandeiras palestinas e gritando: Por nossa alma, por nosso sangue, defenderemos nossa Palestina!.
No sul do Líbano, mil palestinos marcharam no final da tarde pelo acampamento de Rachidiyé, ao sul de Tiro, para clamar pela renovação da luta armada contra Israel.
O inimigo israelense não terá segurança em suas fronteiras com o Líbano e com a Jordânia se nosso povo for massacrado, declarou Munir Maqdá, responsável pelo acampamento de Ain Helué, próximo a Saida.
O responsável pelo massacre de Sabra e Chatila deve ser castigado, dizia um cartaz, em referência ao dirigente da direita israelense, Ariel Sharon, que visitou na quinta-feira a Esplanada das Mesquitas, no leste de Jerusalém.
Sharon era ministro de Defesa em 1982, quando aconteceram as matanças dos acampamentos de Sabra e Chatila, que foram cometidas por milicianos libaneses cristãos, enquanto os soldados israelenses ocupavam Beirute.
Pela primeira vez desde a sexta-feira em que aconteceram os mortais enfrentamentos entre israelenses e palestinos, cerca de vinte refugiados palestinos se deslocaram até a fronteira libano-israelense para demonstrar sua ira.
Israelenses, assassinos! e Parem de massacrar nossos irmãos na Palestina, era o que gritavam os jovens palestinos aos soldados israelenses, que estavam do outro lado da fronteira internacional.
Mais de 367 mil palestinos que fugiram da Palestina durante a criação do Estado de Israel em 1948, e seus descendentes, vivem no Líbano. Mais da metade vive em 12 acampamentos de refugiados.
Ontem à noite, a Autoridade Palestina afirmou ter aceitado, sob condições, uma oferta de cessar-fogo, apresentada por Israel para pôr fim aos confrontos que deixaram 35 mortos palestinos e um israelense em três dias.
Aceitamos a proposta israelense de cessar-fogo desde que Israel retire suas tropas e que uma comissão de investigação seja estabelecida sobre a matança da Esplanada das Mesquitas, disse à AFP Nabil Abu Rudeina, assessor do presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat.
Ele afirmou que Israel propôs um cessar-fogo a partir das 14 horas de Brasília, mas até agora não foi confirmada a informação por fontes israelenses.


