''No começo eu achei que fosse o prédio que estava caindo, e como tinha dois andares acima de mim, minha primeira reação foi sair correndo. Lá fora eu gritava por ajuda, até que uma pessoa que também tinha saído me falou que era um terremoto''. A fotógrafa londrinense Ingrid Polson estava trabalhando na tarde de terça-feira próximo a Washington DC, capital dos Estados Unidos, quando sentiu o terremoto de 5.8 na escala Ritcher, o qual durou cerca de 30 segundos.
Apesar da brevidade, só depois de uma hora e meia Ingrid entrou novamente no prédio. ''Todo mundo ficou na rua esperando que oficiais verificassem se era seguro voltar para dentro'', comentou ela que enfrentou outro desafio até chegar em sua casa. ''Normalmente demoro uns quinze minutos do trabalho para casa, mas por conta do terremoto todo mundo estava entrando e saindo de Washington para chegar em seus lares. São três pistas em cada sentido e mesmo assim estava tudo congestionado'', conta.
Quando finalmente chegou em sua casa Ingrid se deparou com uma cena estranha, ''os porta-retratos, quadros na parede, tudo estava caido''. Na noite de terça-feira, Ingrid comentou que aconteceu outro tremor, ''mas esse bem mais tranquilo, mal deu para sentir''.
A professora Neide Munhoz Albano, mãe de Ingrid, passou por momentos de apreensão em Londrina quando soube do terremoto. ''Como estava na rua só fiquei sabendo por volta das 17 horas. Ela já tinha ligado duas vezes em casa, mas mesmo assim a gente fica preocupada. Hoje (ontem) mesmo já conversei três vezes com ela pelo telefone'', comentou.
Ingrid vive há quatro anos nos EUA. Ela é casada com um militar americano. Eles vivem numa base do exército, em Washington, ''há cinco minutos do Pentágono. De noite quando conversei com meu marido, ele disse que no momento do terremoto ele e seus companheiros desconfiaram que fosse um ataque terrorista''.
Muitos americanos devem ter pensado de forma semelhante. Nas próximas semanas, no dia 11 de setembro, serão lembrados os dez anos dos ataques às torres gêmeas em Nova York. O terremoto de terça-feira foi sentido em toda Costa Leste dos EUA, em cidades como Nova York e Boston. Centenas de milhares de pessoas precisaram, assim como Ingrid, evacuar casas e prédios. O último fenômeno semelhante havia sido registrado na região em 1875.
Além de trabalhar como fotógrafa, Ingrid também estuda Administração Internacional. Antes de ir para os EUA, ela estudou Letras na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Segundo a londrinense, algumas escolas ainda estavam de portas fechadas ontem. ''Um símbolo de Washington, a catedral da cidade, foi danificada'', disse ela, que ontem foi trabalhar normalmente.
Há 15 dias, a mãe de Ingrid estava visitando a filha única e conheceu o local. ''Mal dá para imaginar que isto aconteceu, e estive lá: fomos na catedral gótica que é belíssima''. Mal passou o susto do terremoto e ontem o noticiário já alertava a população para a chegada do Furacão Irene, o qual também vai atingir a costa leste dos EUA.

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