Associated Press
De Londres
O choque de trens de terça-feira na estação londrina de Paddington – um dos mais graves da história ferroviária da Grã-Bretanha, que pode ter deixado mais de cem mortos – ocorreu em consequência da ultrapassagem do sinal vermelho por uma das composições, informou ontem a Agência de Saúde e Segurança (ASS) do governo. Destacando o ‘‘caráter ainda preliminar’’ de sua investigação, a ASS acusou o expresso da empresa Thames Train de ter desrespeitado a sinalização e provocado o acidente.
‘‘Não estamos indicando, pelo menos por enquanto, que a responsabilidade é do maquinista, mas, sim, que houve uma falha’’, ressalta o relatório, apresentado pelo inspetor-chefe do serviço de estradas de ferro, Vic Coleman.
A sinalização cruzada inavertidamente pelo expresso da Thames é a 109. Segundo o sindicato dos ferroviários, esse semáforo está instalado em local impróprio (em meio a postes da rede elétrica), fugindo à visão dos maquinistas em determinados ângulos. ‘‘O 109 já provocou oito acidentes desde 1993 e nenhuma providência foi adotada para melhorar sua posição’’, acusa a central sindical.
O relatório preliminar oficial concluiu também que o acidente teria sido evitado se o semáforo fosse dotado de um dispositivo conhecido como Sistema de Advertência e Proteção Ferroviária (TPWS). Esse equipamento pára automaticamente um trem que ultrapasse sinal vermelho. Sua instalação foi aprovada este ano pelo governo britânico, mas as empresas não estão obrigadas a adotá-lo antes do ano 2003.
Os socorristas montaram uma grua no local do acidente para remover os escombros e também permitir acesso ao vagão H – primeiro do trem da Western. Esse vagão incendiou-se logo após o impacto. Só cinco passageiros conseguiram escapar do interior dele. Segundo dados da Scotland Yard, há pelo menos 127 desaparecidos.

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