Jerusalém, Israel - As armas se calaram nesta terça-feira após quase um mês de guerra na Faixa de Gaza, por conta de um cessar-fogo acertado entre Israel e o Hamas e de uma retirada total das tropas terrestres israelenses.
O cessar-fogo obtido com a mediação do Egito e dos Estados Unidos entrou em vigor às 8 horas (2 horas no horário de Brasília), inicialmente por 72 horas. Discussões já estão encaminhadas para uma paz duradoura entre as partes em conflito.
Na noite desta terça-feira, a Faixa de Gaza estava calma pela primeira vez depois de 29 dias de uma ofensiva devastadora que matou 1.875 palestinos, de acordo com o Ministério palestino da Saúde, entre eles 430 crianças e adolescentes e 243 mulheres, assim como 64 soldados israelenses e três civis em Israel.
Todas as tréguas anteriores fracassaram, mas a retirada dos soldados israelenses consolida as esperanças de que esta nova trégua seja respeitada, mesmo que o Exército tenha tomado o cuidado de garantir que responderia "a qualquer ataque".
Médicos conseguiram ter acesso a zonas anteriormente inacessíveis devido aos combates, onde foram encontrados mais corpos.
Em carros ou em carroças puxadas por burros, milhares de palestinos voltaram as suas casas, para ver se ainda estavam de pé. No setor de Beit Hanoun (norte), Rafat al-Masri, pai de cinco filhos, só encontrou ruínas. "Trabalhei durante 40 anos para construir esta casa. Agora está completamente destruída. Não resta nada", lamentou.
A guerra na Faixa de Gaza provocou danos calculados entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões, segundo o vice-ministro palestino da Economia, Taysir Amro, que também anunciou uma reunião de países doadores na Noruega em setembro. Amro explicou à AFP que o valor não leva em consideração os "danos diretos que afetam a economia de Gaza e pode aumentar após o cálculo dos efeitos indiretos sobre a população".
Um balanço mais preciso será elaborado quando a calma retornar ao território palestino superpovoado e submetido a um bloqueio, onde quase 500 mil pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas.
Após os ataques aéreos iniciados em 8 de julho, as forças terrestres israelenses entraram no dia 17 no território para acabar com os disparos de foguetes do Hamas e desmantelar a rede de túneis utilizada pelos islamitas. O Exército concluiu na segunda-feira à noite sua missão de destruição de túneis.

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