Trégua no Iraque deve durar mais 12 horas
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domingo, 11 de abril de 2004
Agência Folha 
São Paulo - As conversas para tentar acabar com o confronto entre as guerrilhas iraquianas e as tropas americanas em Fallujah, a 50 km oeste de Bagdá, irão continuar hoje. Um cessar-fogo informal foi estendido pela noite de ontem. A informação foi dada por um dos negociadores, Hashim al Hassani.
Al Hassani, representante de um membro do Conselho de Governo Iraquiano, disse que a trégua instável que foi assegurada ontem poderia se estender por outras 12 horas, até as 6 horas (3 horas de Brasília) de hoje, quando as conversações poderão ser retomadas.
As forças de coalizão lideradas pelos Estados Unidos lançaram uma operação na cidade na semana passada em resposta ao assassinato e mutilação de quatro americanos.
De acordo com o diretor do hospital de Fallujah, Rafie al Issawi, mais de 600 iraquianos foram mortos nos confrontos na cidade desde o começo da segunda-feira passada. A estatística foi feita reunindo informações das quatro principais clínicas da cidade e do hospital geral de Fallujah, onde os corpos estavam sendo recolhidos, e divulgada ontem.
Ontem, os membros do Conselho de Governo Iraquiano fizeram uma proposta aos Estados Unidos, que considera um acordo para acabar a revolta xiita islâmica se os EUA concordarem em não prender o líder xiita Moqtada al Sadr. A informação foi dada por membros do Conselho.
Adnan Ali, o porta-voz do partido xiita Dawa, que está representado no Conselho, disse que os oficiais americanos suavizaram pessoalmente suas posições sobre a prisão de Al Sadr. Segundo ele, um acordo pode acontecer nos próximos dias.
Ali também afirmou que o acordo pode incluir a dispensa da milícia armada por Al Sadr, o abandono de prédios públicos que ele ocupa e garantias de que os EUA não irão causar danos ao líder.
Apesar de insurgentes e marines (fuzileiros navais) acordarem um cessar-fogo em Fallujah, a 50 km oeste da capital, ainda havia tiros isolados em algumas áreas da cidade. Em Bagdá, atiradores derrubaram um helicóptero AH-64 Apache americano, matando seus dois tripulantes.
A informação foi dada pelo general Mark Kimmitt, que também afirmou que um grupo de pessoas retirou rapidamente os corpos do local. Um confronto pesado foi ouvido e tanques se deslocaram para a área, próxima ao subúrbio de Abu Ghraib, a oeste da capital.
Os sequestradores do refém americano Thomas Hammil um contratado pelas forças de coalizão no Iraque ameaçaram matá-lo e queimá-lo caso as tropas americanas não encerrassem sua operação na cidade de Fallujah até as 3 horas da manhã ontem, mas até o fechamento desta edição nenhuma informação foi dada.
O grupo iraquiano que sequestrou na quinta-feira três civis japoneses ameaçou executar um dos reféns em um prazo de 24 horas caso o governo do Japão não retire suas tropas do Iraque.
As ''Brigadas dos Mujahedines', um grupo desconhecido até então, havia ameaçado na quinta-feira ''queimar vivos' os reféns japoneses, dando ao governo japonês prazo até as 9 horas de ontem (hora de Brasília) para retirar suas tropas do Iraque.
Os reféns japoneses Noriaki Imai, Nahoko Takato, voluntários, e o fotógrafo Soichiro Koriyama foram sequestrados quando viajavam entre Amã e Bagdá.


