São Paulo – Um dos cartunistas que sobreviveram ao ataque de radicais contra o jornal satírico francês "Charlie Hebdo", anunciou que deixará a publicação em setembro, alegando que não tem mais inspiração e que não pode mais suportar a pressão do trabalho e da mídia. Renald Luzier, mais conhecido como Luz, anunciou a decisão em entrevista ao "Libération", o jornal que tem abrigado o "Charlie Hebdo" e que ajudou a publicar seus exemplares desde o atentado em 7 de janeiro, o qual matou grande parte da equipe da publicação. "Chegou o momento em que era simplesmente demais para aguentar. Não havia quase ninguém para desenhar as charges. Acabei fazendo três ou quatro capas. Cada tiragem foi uma tortura porque os outros não estão mais lá", disse Luz, que vive sob proteção policial.
Ele citou a pressão do trabalho e o escrutínio da mídia como os principais motivos para deixar o semanário. Além disso, alegou não ter mais "inspiração" para desenhar. "Eu não consigo mais me interessar (...) Muitas pessoas tentam me incentivar, mas elas esquecem que o problema é a inspiração", acrescentou Luz, emendando que sua reflexão sobre deixar o jornal "já vem de muito tempo".

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