Traumas atormentam acordo em Serra Leoa
Será difícil para Serra Leoa esquecer as atrocidades cometidas durante nove anos de guerra civil, apesar do acordo assinado nesta quarta-feira em Lome abrir caminho para a paz. O acordo, firmado na capital do Togo, prevê uma anistia para os combatentes rebeldes da Frente Revolucionária Unida (RUF), culpados por numerosos crimes - massacres, sequestros, violações e mutilações - num conflito que deixou, no mínimo, 20 mil mortos. A ONU, que apoiou as negociações de paz, afirmou imediatamente que ‘‘não reconheceria a anistia enquanto as violações grosseiras dos direitos humanos continuassem acontecendo’’. O cabo Foday Sankoh, chefe histórico da RUF, ‘‘implorou o perdão de todos’’, ao assinar o acordo de paz. Por outro lado, o acordo prevê a criação de uma ‘‘Comissão da verdade e reconciliação’’ seguindo o modelo sul-africano. Numerosos habitantes da capital, Freetown, comemoraram com grande alegria nesta quinta-feira o acordo de Lome. Freetown foi, em janeiro passado, palco de numerosas atrocidades durante uma invasão dos rebeldes. No entanto, já há quem se interrogue sobre a viabilidade, a longo prazo, desta coabitação forçada.

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