Tratamento da Aids melhora, mas ainda há excluídos
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2005
France Presse 
Paris - Cerca de 700 mil doentes de Aids recebem tratamento nos países pobres, uma gota no oceano de 5,8 milhões de pessoas que precisam urgentemente de medicamentos anti-retrovirais para sobreviver, segundo os últimos números da Organização Mundial da Saúde (OMS) e ONUAids.
Dois terços dos cerca de 39,4 milhões de soropositivos vivem na África Subsaariana, onde a epidemia já matou 2,3 milhões de pessoas em 2004, segundo os últimos números da ONUAids, organização encarregada de coordenar esforços de várias agências do sistema em sua luta contra a Aids.
O Brasil, onde 154.000 pacientes recebiam tratamento no final de 2004 é citado como um exemplo a ser seguido. Na América Latina e Caribe, dois terços dos doentes de Aids beneficiam do ARV, enquanto na África e na Ásia o índice cai a 8%, destaca o texto.
Um ano depois de anunciar que o objetivo era fornecer tratamento para três milhões de doentes até o final de 2005 em países em desenvolvimento, a OMS e a ONUAids comemoram estar na metade do caminho, com um avanço espetacular no segundo semestre de 2004.
Entretanto, também insistem nos ''enormes obstáculos'' que é preciso superar para conseguir este objetivo para dezembro. O primeiro é encontrar os dois bilhões de dólares que faltam para os 3,8 bilhões necessários este ano para alcançar os objetivos nos 49 países mais afetados.
Também existe a possibilidade de redução dos custos dos medicamentos, estimados em 304 milhões de dólares por pessoa ao ano e do pessoal encarregado de administrá-los, destaca o informe.
Os anti-retrovirais podem causar efeitos colaterais, pois é necessário tomar diversos comprimidos, várias vezes ao dia, durante toda a vida, pois a Aids não tem cura.
Até 2003, os países do terceiro mundo não podiam fazer frente aos altos preços dos medicamentos, mas algumas empresas começaram a reduzi-los diante da pressão de países como o Brasil, que iniciou a produção de genéricos em casa.
De junho a setembro do ano passado, o número de pacientes em tratamento passou de 440.000 a cerca 700.000, de acordo com o balanço divulgado nesta quarta-feira.
Dos 700.000 doentes tratados com anti-retrovirais (ARV), 310.000 pacientes estão na África Subsaariana, onde o número de pacientes que recebe o tratamento dobrou em seis meses e o índice de sucesso das 'triterapias' é ''tão grande'' como nos países ricos, garante as duas organizações.


