Tratado para proteção de desaparecidos
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quarta-feira, 07 de fevereiro de 2007
France Presse 
Paris - Representantes de cerca de 50 países, entre eles do Brasil, assinaram ontem em Paris a Convenção Internacional para a Proteção de todas as Pessoas contra os Desaparecimentos Forçados, impulsionada por França e Argentina, em um ato que ressaltou a necessidade de se pôr fim à impunidade.
A convenção ''expressa a vontade dos Estados de acabar com uma prática odiosa apoiada na mentira e no esquecimento'', declarou o presidente francês Jacques Chirac, em discurso lido pelo titular das Relações Exteriores, Philippe Douste-Blazy.
Aprovada por unanimidade no dia 20 de dezembro de 2006 pela ONU, a convenção é a primeira a reconhecer o desaparecimento forçado de pessoas como crime contra os direitos humanos e sua entrada em vigor, que precisará da ratificação de pelo menos 20 países, preencherá um vazio jurídico que favoreceu a impunidade durante décadas.
Uma grande delegação argentina encabeçada pela primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner, pelo chanceler Jorge Taiana e representantes das Mães e Avós da Praça de Maio estava presente na cerimônia realizada em um salão de honra do Ministério das Relações Exteriores de Paris.
''O desaparecimento forçado é um dos crimes contra a Humanidade mais perversos, porque une a perda irremediável de uma vida por meio de torturas à incerteza dos familiares sobre seu destino final'', declarou em discurso Cristina Fernández de Kirchner, que representou seu marido.
''A princípio exigíamos e esperávamos que voltassem com vida, mas o tempo passou e a realidade do que aconteceu com eles penetrou em nosso ser. Então começamos a exigir verdade e justiça, e leis que possam nos dar uma resposta'', explicou emocionada Marta Vázquez Ocampo, Mãe da Praça de Maio e uma das artífices desta convenção.


