São Paulo- O presidente interino de Cuba, Raúl Castro, 76, afirmou ontem que não fará nem ''transição'' nem ''paralisia'' no país, pois estes são ''sonhos ultrapassados dos inimigos da revolução''. Raúl presidiu ontem as comemorações do Dia da Rebeldia Nacional em Camaguey (sul), em uma data que marca também um ano do afastamento do ditador, Fidel Castro, seu irmão, da liderança do país.
Em seu discurso na comemoração, Raúl Castro afirmou que o inimigo ''insiste em continuar batendo na mesma tecla'' e ''especula sobre uma suposta paralisia e sobre uma transição em marcha''. As palavras foram ouvidas pelos cerca de 100 mil cubanos presentes na festa, que teve início às 7h30 locais (8h30 de Brasília) na praça da Revolução de Camaguey.
A data comemora o frustrado ataque ao quartel Moncada, em Santiago de Cuba, uma operação liderada pelos irmãos Castro e considerada a primeira ação armada da guerrilha contra a ditadura de Fulgencio Batista, em 26 de julho de 1953.
''Por mais que fechem os olhos, a realidade se encarrega de destruir seus (dos inimigos) sonhos ultrapassados'', acrescentou Raul, que assumiu a liderança do país desde o afastamento de Fidel por problemas de saúde, há aproximadamente um ano.
Segundo ele, durante a ausência de Fidel, ''com serenidade, disciplina e sem alardes, nosso povo continua se preparando para enfrentar qualquer aventura militar do inimigo''. ''É um esforço grande, em momentos nos quais os recursos não são abundantes, mas é imprescindível.''
Essa foi a primeira vez que Fidel se ausentou de uma comemoração do 26 de julho, que é um dos principais feriados nacionais cubanos. Em 1994 e 1997, Raúl Castro já havia sido o orador central do evento, que na época ainda era presidido por Fidel.

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