Paulo Sotero
Da Agência Estado
Num clima supreendentemente ameno para o mês de janeiro, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, e o ministro das Relações Exteriores da Síria, Farouq al-Shara, iniciaram ontem, em Sheperdstown, uma pacata cidadezinha situada a 100 quilômetros de Washington, na Virginia Ocidental, as mais promissoras negociações de paz já realizadas entre os dois países, que travaram três guerras desde a fundação de Israel, em 1948.
O evento, potencialmente histórico, começou com uma caminhada simbólica que Barak e al-Shara fizeram, na companhia do presidente Bill Clinton, pelos jardins do Hotel Clarion até o centro de conferências onde eles tentarão, nos próximos sete a dez dias, encontrar soluções para suas diferenças.
Para a Síria, o objetivo é obter a devolução das Colinas do Golan, que Israel ocupou na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e onde vivem hoje 17 mil colonos israelenses ao lado de 19 mil árabes drusos leais Damasco.
Para Israel, trata-se de conseguir garantias de segurança dos sírios, no quadro de relações diplomáticas normais, e de manter acesso às águas do mar da Galiléia, crucial para o abastecimento e a agricultura do norte do país. A pacificação entre Israel e seus vizinhos imediatos, que ficaria completa com um acordo com a Síria, é a prioridade absoluta da política externa de Clinton, que inicia em menos de três semanas seu último ano de governo.
Cientes das enormes dificuldades que precisam ser superadas para que se chegue a um entendimeto, os anfitriões americanos empenharam-se ontem em reduzir as expectativas. Não se deve esperar um acordo, ou mesmo um esboço de acordo, para esta ou a próxima semana, avisaram funcionários da administração.
Embora os dois lados tenham emitido sinais positivos sobre sua disposição de considerar as reivindicações do outro, as conversações poderão estender-se por vários meses. ‘‘As diferenças são significativas e complexas e envolverão muito trabalho duro e muitas decisões difíceis’’, disse Joe Lockhart, o porta-voz da Casa Branca.
Barak e Al-Shara, que tiveram reuniões preparatórias em Washington, no mês passado, sentaram-se para sua primeira reunião ontem, sem a presença dos americanos, antes de jantar com Clinton e com a secretaria de Estado, Madeleine Albright.