Trágica morte de Diana emocionou todo o mundo
A princesa de Gales, Diana Spencer, 36 anos, vivia no segundo semestre de 97 um momento que as pessoas que privavam da sua intimidade consideravam especial. Tinha resolvido as pendências da separação com o príncipe Charles, era reconhecida internacionalmente por seu engajamento em causas humanitárias e tinha um novo amor, o milionário egípcio Dody Al-Fayed. O momento especial foi interrompido na noite de 31 de agosto, quando morreu em Paris, ao lado de namorado Dody, depois de um acidente de carro no final da noite anterior. A Mercedes que transportava Diana bateu em uma pilastra do Túnel das Almas, no centro da capital francesa, a mais de 150 quilômetros por hora. O motorista, que também morreu na hora, estaria embriagado e fugindo de oito fotógrafos paparazzi que perseguiam o casal em busca de fotos íntimas. Diana ainda foi transferida para um hospital de Paris com vida, mas não resistiu aos graves ferimentos. O guarda-costas de Dody, Trevor Rees-Jones, que acompanhava o casal, escapou com vida.
A morte da princesa dos corações comoveu o mundo, uma comoção traduzida pela impressionante quantidade de flores depositadas nos portões dos palácios de Buckinghan e Kensington. Bilhões de pessoas em vários países assistiram pela televisão ao funeral de Diana na Abadia de Westminster.
A obsessão pela história da bela e rica princesa que recebeu do destino um fim trágico parece não ter fim. Livros, revistas, tablóides, documentários e CDs continuam a atrair um grande número de consumidores inconformados com a morte da mulher que levou sangue e calor à então gélida família real britânica. Um álbum do cantor britânico Elton John, com a música Candle in the Wind, refeita em homenagem à amiga íntima Diana, bateu recordes de venda.
Como resultado prático da tragédia, o possível envolvimento dos oito fotógrafos no acidente deflagrou em todo o mundo uma discussão - que continua até os dias de hoje - sobre a invasão de privacidade de personalidades pelos fotógrafos que abastecem a imprensa sensacionalista. A discussão resultou num acordo entre os tablóides e a família real que poupou imagens futuras dos príncipes Henry e Willian.
Mas Diana deixou uma herança mais importante, ainda. A batalha em que se engajou nos últimos tempos de sua vida, contra as minas terrestres que provocam morte e mutilação em milhares de pessoas, foi amplamente vitoriosa. O Nobel da Paz deste ano foi conferido justamente à campanha. E a assinatura de um tratado antiminas, com a adesão de muitos países, marca a fase concreta desta batalha.
Quanto ao acidente e tudo o que o cercou, persistem as dúvidas. O guarda-costas Trevor Rees-Jones, o único sobrevivente da tragédia, recuperado após muitas cirurgias e um longo tempo de hospitalização, ainda não se lembra de nada a respeito do acidente. Como participante direto da tragédia, poderia pelo menos esclarecer algumas dúvidas. Ninguém pode antecipar se um dia ele lembrará. De qualquer forma, Diana, que ficou em 97, de modo trágico, permanecerá através dos tempos.





