Tragédia pode marcar o fim do modelo supersônico
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de julho de 2000
Reali Júnior Agência Estado De Paris 
A carreira do único modelo supersônico civil em exploração comercial no mundo pode ter chegado ao fim às 16h45 (11h45 de Brasília) de ontem no Aeroporto Charles De Gaulle, local do acidente do Concorde da Air France denominado o Titanic do céu. O primeiro passo nessa direção foi dado sob os olhos do presidente francês, Jacques Chirac, que chegava da reunião do Grupo dos Oito, no Japão, e assistiu ainda no interior do avião presidencial à decolagem do aparelho já em chamas, sem nada poder fazer.
Na noite de ontem, a direção da Air France e da British Airways suspenderam os vôos de ontem para Nova York do avião supersônico que foi o grande embaixador da tecnologia aeronáutica franco-britânica nas últimas décadas.
O próprio presidente George Pompidou utilizou o Concorde quando encontrou-se com o presidente americano, Richard Nixon, em 1973, como se pretendesse desafiá-lo, numa atitude bem francesa, face a seu parceiro norte-americano. Por isso, hoje, o futuro do Concorde encontra-se em sursis e as direções das empresas britânica e francesa vão se reunir nos próximos dias para definir se o avião deve ou não abandonar a rota mais nobre do planeta, Paris-Nova York e Londres-Nova York.
A carreira do Concorde pode ter sido encerrada no aeroporto que leva o nome de um de seus criadores, o general De Gaulle que deu sinal verde para sua construção no início da década de 60. Coincidência ou não, esse era o décimo terceiro avião de sua geração, há 20 anos em serviço regular, mas só 12 mil horas de vôo, tendo causado a morte de 113 pessoas.
Um dos especialistas aeronáuticos franceses, François Grangier, ouvido após o acidente, explicava que o inquérito judicial aberto para apurar as causas do ocorrido poderá determinar a suspensão da exploração comercial do Concorde, um aparelho definido no seu tempo como um grande avanço tecnológico, mas que constituiu um exemplo de fracasso comercial. Ele pode terminar sua carreira como o dirigível, marcando o fim de uma época, em que por 9 mil dólares, os mais ricos da Europa e dos EUA podem cruzar o Atlântico Norte em apenas 3 horas e meia, mesmo que o conforto não seja o mesmo de um aparelho subsônico com o Boeing ou o Airbus, pois se trata de um avião cheio de ruídos internos e com poltronas sem conforto.


