PHUKET, Tailândia- A identificação dos milhares de turistas estrangeiros mortos no maremoto na Tailândia é o maior desafio enfrentado pelos legistas, bem pior que o trabalho encontrado pelos profissionais que trabalharam com as vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001, declarou ontem um especialista.
Cerca de 100 mil turistas, a maioria ocidentais, estavam nas praias do sul da Tailândia quando o maremoto de 26 de dezembro arrasou a região.
Mais de 5 mil pessoas foram declaradas oficialmente mortas e o primeiro-ministro tailandês, Thaksin Shinawatra, trabalha com a hipótese de um balanço final entre 7 mil e 8 mil mortos, sendo a metade estrangeiros. A identificação de corpos inchados e deformados através de exames genéticos vai durar vários meses, avaliou o especialista australiano Phil Burfurd, diretor de comunicação da Kenyon Worldwide Disaster Management, empresa enviada pela Austrália para ajudar no reconhecimento das vítimas. Em geral, os especialistas ''pensam que a amplitude desta tarefa é muito maior do que a defrontada em todas as recentes catástrofes'', superando o duplo atentado que deixou 202 mortos em 2002 na ilha indonésia de Bali, a maioria turistas estrangeiros, e inclusive os ataques suicidas de 11 de setembro de 2001, que mataram cerca de três mil pessoas nos Estados Unidos.
O trabalho iniciado na Tailândia consiste na coleta de informação genética, em particular de DNA, e sua comparação com a de parentes dos desaparecidos. São retirados os dentes dos cadáveres, que são comparados com os arquivos odontológicos fornecidos pelos familiares, além de uma pequena mostra do fêmur para o exame de DNA. Caso o processo de decomposição esteja muito avançado, são registradas as impressões digitais do cadáver, que recebe em seguida um chip eletrônico para facilitar a localização.
As autoridades tailandesas instalaram centros onde os parentes dos desaparecidos podem dar um pouco de sangue, cabelos ou saliva para obter a identificação genética. Um centro, aberto dia e noite, foi instalado no aeroporto internacional de Bangcoc para a coleta de DNA dos parentes dos desaparecidos que chegam a todo momento. Mais de 300 especialistas de 19 países estão no sul da Tailândia para ajudar na tarefa de identificação, em particular no templo Tanyao, próximo a Kaho Lak, balneário que foi arrasado pelas ondas gigantes.
Nesse local de culto que virou um imenso necrotério, onde mais de 1.500 corpos foram amontoados, o clima tropical e a falta de material complica o trabalho dos legistas. A especialista tailandesa Pornthip Rojansunan está neste local há vários dias, impressionada pelo tamanho do trabalho a fazer. ''Comparar as impressões genéticas já é difícil, e há mais de 10 mil mostras para examinar'', disse ao jornal The Nation.

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