Tragédia é a pior em 65 anos, diz premiê
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de março de 2011
Fabiano Maisonnave <br> Folhapress <br> 
Mito - A tripla tragédia japonesa - terremoto, tsunami e vazamento radioativo - é a pior catástrofe a atingir o país desde a Segunda Guerra Mundial, segundo disse o premiê Naoto Kan. ''Considero a situação atual, de certa forma, como a mais grave crise que enfrentamos nos últimos 65 anos'', disse. O número de mortos oficialmente está em 1,8 mil, mas já há estimativas de que pode superar os 10 mil. Cerca de 600 mil pessoas tiveram de ser removidas de suas casas. Há 2,6 milhões de japoneses sem luz.
O temor de um desastre ainda maior aumentou, com a notícia de que mais duas usinas nucleares podem sofrer acidente. Na central mais afetada, a de Fukushima 1, há a suspeita de que o combustível nuclear tenha começado a derreter, o que pode provocar grande vazamento. Até agora, houve constatação de contaminação nuclear em 22 pessoas. O número total pode chegar a 190.
O Itamaraty está organizando missões humanitárias para oferecer apoio a brasileiros que moram nas regiões mais atingidas pelo terremoto. O primeiro grupo de diplomatas esteve ontem em Ibaraki (120 km ao norte de Tóquio), que sofreu danos com o terremoto. Eles falaram com líderes comunitários, mas não identificaram brasileiros que necessitassem de ajuda. O consulado ainda deve mandar missões para regiões mais ao norte do país, que sofreram maiores danos.
De acordo com registros de 2009 do Itamaraty, 383 brasileiros vivem na região da usina nuclear de Fukushima (250 km a nordeste de Tóquio), onde um reator nuclear sofreu uma explosão e vazamento de radioatividade e outros dois enfrentam problemas. Outros 15 a 20 brasileiros residiriam em Sendai, próxima do epicentro do terremoto e uma das cidades mais atingidas pelo tsunami.
Atualmente a comunidade brasileira no Japão é formada por mais de 250 mil pessoas -a terceira maior comunidade estrangeira no país.
Até ontem à noite, o Itamaraty já havia recebido mais de 3.000 e-mails e 470 telefonemas de pessoas em busca de notícias de seus parentes no Japão. O número de contatos começava a diminuir em relação às primeiras horas após o terremoto -o que indicaria que muitos conseguiram fazer contato.
Apesar disso, o Itamaraty não confirmou nenhum desaparecimento ao morte de brasileiro. Segundo diplomatas, uma contagem de desaparecidos não foi oficializada ainda, pois muitas pessoas que procuram o Itamaraty não voltaram a fazer contato após achar seus parentes. Em uma lista não oficial, elaborada pelos próprios dekasseguis por meio da internet, o número de desaparecidos subiu de dez para 12.
O porta-voz do governo advertiu que o desastre terá um impacto considerável na economia do país. O custo para as seguradoras dos danos causados pelo terremoto podem chegar a US$ 34,6 bilhões, segundo uma estimativa inicial da AIR Worldwide, firma especialista em avaliação de riscos.


