A extensão da fome no sul do Sudão, que atinge pelo menos 1.200.000 pessoas, chega às raias do absurdo. As organizações humanitárias no local não conseguem dar conta, sozinhas, do problema, lamentou ontem em Bruxelas Eric Goamere, diretor da seção belga da Médicos sem Fronteiras, MSF. ‘‘Só uma solução política durável permitirá a segurança necessária para uma ajuda eficaz’’, afirmou, em entrevista à imprensa.
A fome atual é causada pelo conflito no sul do Sudão, entre as autoridades de Cartum e os rebeldes do Exército da Libertação dos Povos do Sudão (SPLA) de John Garang.
Segundo Goamere, esta fome é ‘‘comparável às tragédias da Etiópia, de 1984, e da Somália, em 1992’’, e se estende rapidamente para todo o sul do país.
Um milhão e duzentas mil pessoas sofrem hoje de problemas ligados à desnutrição; 700.000 na região de Bahr el Ghazal, que dependem exclusivamente de ajuda. No centro de abastecimento MSF d’Ajiep, ‘‘um terço das crianças estão quase mortas’’, segundo Goamere.
O Programa Alimentar Mundial (PAM), gerado pelas Nações Unidas, não tem meios para enfrentar esta fome, lamentou ele.
O PAM conta fornecer até setembro 6.000 toneladas de víveres por mês, enquanto que o MSF estima em 18.000 toneladas o mínimo necessário para nutrir as populações afetadas.
O MSF lamenta, além disso, que os centros de abastecimento sejam pilhados periodicamente por bandos armados.

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