JOHANNESBURGO - Um vídeo amador mostrando a queda do avião etíope sobre a costa das Ilhas Comores foi mostrado por televisões de todo o mundo. O vídeo foi feito por um casal sul-africano que passava a lua-de-mel nas Ilhas Comores e estava hospedado em um hotel à beira da praia. A fita foi vendida à emissora Worldwide Television News por US$ 65 mil.
De acordo com Dolf Gouws, sua mulher Marinda foi quem filmou a sequência inteira, incluindo a retirada de corpos e sobreviventes à beira da morte de dentro do mar por turistas e outros voluntários. ‘‘Eu estava deitado na praia. Minha mulher e eu estávamos tomando sol e ela estava me filmando e enquanto ela fazia isso, o avião simplesmente apareceu ali, vindo de lugar nenhum’’, afirmou Gouwns à rádio de Israel.
A queda do Boeing 767 no mar, que tinha sido sequestrado por um grupo de etíopes, foi testemunhada por muitas pessoas que estavam na praia aproveitando o sábado de sol. No acidente, morreram 125 pessoas e 50 sobreviveram. Os sequestradores queriam voar para Austrália e não acreditaram quando o piloto afirmou que não havia combustível suficiente. O avião acabou caindo sobre a costa das Comores. ‘‘Havia umas poucas palmeiras de um lado e o avião veio de trás das palmeiras sobre o mar’’, contou ele. ‘‘O aparelho estava a cerca de um metro da água, minha mulher gravava tudo, e então a asa esquerda tocou a água’’, disse.
De acordo com a rádio, no início o casal pensou que estivesse assistindo a uma apresentação para os turistas, mas depois, quando o avião ficou muito perto da água, eles perceberam que se tratava de um desastre aéreo. A fita ficou em poder das autoridades que investigavam o acidente durante os últimos dias e o casal afirmou que ficou contente em poder ajudar os peritos. ‘‘Apesar de termos feito um grande negócio com a fita, ficamos realmente perturbados com o acidente e nos sentimos muito tristes pelas pessoas que foram mortas’’, afirmou Marinda.
De acordo com a imprensa sul-africana, várias empresas disputaram a compra da fita e o valor da venda teria sido de US$ 87 mil e não US$ 65 mil como confirmou Gouws à rádio Israel.
Sequestradores Os piratas aéreos que desviaram o avião da Ethiopian Airlines, que caiu há quatro dias no litoral das ilhas Comores com 175 pessoas a bordo, devem ter morrido na tragédia, segundo o Departamento de Estado norte-americano. Dois sobreviventes da catástrofe aérea, detidos no arquipélago e suspeitos de ser os sequestradores, não são os responsáveis pelo desvio do vôo Addis Abeba-Nairóbi, segundo um oficial da polícia das ilhas e a rádio etíope. Esta última também informou ontem, citando a companhia aérea, que 120 corpos já foram resgatados. Segundo a revista etíope ‘‘Reporter’’, seis dos 12 tripulantes morreram no acidente e os outros seis, incluindo o comandante e o co-piloto, sobreviveram.

mockup