BOGOTÁ - Em uma entrevista à emissora colombiana QAP que poderá custar seu cargo diplomático, o embaixador dos Estados Unidos em Bogotá, Myles de Frechette, afirmou que recebeu pessoalmente informações de que os irmãos traficantes William Rodriguez Orejuela e Miguel Rodriguez Orejuela têm provas que incriminam o presidente Ernesto Samper. As declarações enraiveceram aliados do presidente, um dos quais chamou o embaixador de ‘‘filho de uma cadela’’.
Segundo o embaixador, os irmãos ofereceram à DEA (polícia antidrogas americana) provas que poderiam levar Samper para a cadeia, além de informações sobre as rotas utilizadas pelo cartel de Cali para o escoamento de drogas em território americano. Em troca, os narcotraficantes queriam que os Estados Unidos parassem de persegui-los. ‘‘A resposta de meu governo foi ‘não’’’, afirmou. ‘‘Propuseram uma troca e eu rejeitei, já que não estamos aqui para fazer acordos com eles (narcotraficantes)’’, afirmou Frechette. ‘‘Isso de perseguir o presidente Samper não é política dos Estados Unidos.’’
A reação às declarações do embaixador foi imediata. Enfurecidos pela decisão do governo de Washington de ‘‘descertificar’’ pelo segundo ano consecutivo a política antidrogas da Colômbia, integrantes da ‘‘tropa de choque’’ de Samper chegaram a pedir a expulsão do embaixador. ‘‘O presidente deve exigir que ele entregue as provas’’, afirmou o senador Jaime Duss.

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