Traficantes ameaçam a fauna boliviana
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de julho de 1998
France Presse 
Vicunhas, chinchilas, condores, macacos, pumas, jaguares, papagaios e outros animais da fauna boliviana são caçados por traficantes sem escrúpulos que, com sua venda, movimentam o segundo grande negócio sujo do país depois do narcotráfico, denunciaram organizações de defesa do meio ambiente, neste fional de semana em La Paz.
Mesmo com a recente criação de uma reserva ecológica de 131.000 km2 onde se pretende preservar os recursos naturais e velar pela biodiversidade, a caça indiscriminada de animais no altiplano e leste bolivianos adquire proporções monstruosas, segundo um perito.
A indústria da caça e a morte são avalizados por permissões semilegais vendidas por funcionários públicos corruptos, como denunciam as organizações ecológicas. Com estas licenças, agregam, pessoas inescrupulosas traficam sem quaisquer restrições a quantidade de animais que conseguem em suas caçadas.
As espécies mais procuradas são as aves como periquitos e papagaios da amazônia boliviana. Jaguares, macacos e jacarés, também são vítimas desse tráfico.
A complexa rede que opera no país conta com recursos modernos para suas operações, desde avionetas e pistas escondidas - onde os caçadores contratados guardam a mercadoria - até a forma semilegal, com as licenças conseguidas.
A vicunha, um camelídeo que habita o o extenso altiplano boliviano e peruano, com pele e lã altamente valorizadas no comércio internacional, é um dos gêneros seriamente ameaçados. Para sua caça em muitos casos são utilizadas armas sofisticadas, como informou a AFP Rubén Camacho, médico veterinário de uma estação experimental dedicada a proteção e melhoramente genético, que conta com um rebanho atual de de 600 vicunhas.
Outra vítima desse lucrativo negócio é a chinchila, mamífero roedor parecido com o esquilo, cuja pele é extraordinariamente valorizada. Teme-se que a espécie já esteja extinta na região.
Símbolo pátrio em muitos escudos de países andinos, o emblemático condor real é sistematicamente perseguido pelos lavradores, que alegam que esta majestosa ave de rapina mata as ovelhas e outros animais domésticos.
À essa longa e triste lista se acrescentam outras espécies, como peixes por exemplo, que são pescados com dinamite, uma forma depredadora que, além de matar grandes quantidades de peixes de uma só vez, destrói seus ovos.
A pesca do paiche, um peixe de água doce parecido com o tubarão, com comprimento de dois a três metros, é outro negócio lucrativo. Segundo denúncias de ribeirinhos do Río Madre de Dios, extremo norte da Bolívia, pescadores provenientes do Brasil arrasam com esse peixe, cuja pele e carne quase desprovida de espinhas, são muito apreciadas por seu alto valor comercial.
Para que este faunotráfico deixe de ser impune, resta esperar que a recentemente criada reserva florestal denominada pelo governo boliviano Sistema Nacional de Áreas Protegidas (SNAP) proteja adequadamente o manejo sustentado da vida silvestre neste país, acreditam os peritos.
A Bolívia - que possui, depois do Equador, Colômbia e Peru, a quarta reserva ecológica mais importante da América Latina - espera que sua natureza traga benefícios econômicos, sociais, culturais, científicos e ambientais para nós e nossos filhos, segundo um postulado do SNAP.


