Traficante assume morte de Carlito
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quinta-feira, 30 de julho de 1998
Ariel Palácios Agência Estado 
Dona Zulema, perdoe-me. Não sabia que estava matando o filho do presidente. O autor do pedido de desculpas é o narcotraficante colombiano Oscar Cifuentes. O pedido está endereçado a Zulema Yoma, mãe de Carlito Menem, filho do presidente argentino, Carlos Menem.
Cifuentes, que desapareceu após sua confissão ao canal de TV argentino Telefé, pode dar um novo rumo à investigação sobre a morte do filho do presidente. Ele confessa que matou Carlito e que o motivo da morte teria sido o combate ao tráfico de drogas na Argentina.
O que até agora era visto como um acidente, passaria a ser encarado como um homicídio. E uma tragédia familiar poderia tornar-se uma questão de Estado com implicações internacionais.
Carlito morreu em um acidente de helicóptero, em março de 1995. Voando baixo demais, sobre a estrada que liga Zárate a Buenos Aires, o aparelho teria caído ao bater em fios de alta tensão. No entanto, ocorreram estranhas circunstâncias. Quase 75% do helicóptero desapareceu do depósito onde era guardado; peritos americanos constataram que nos restos do aparelho havia marcas de balas de fuzis; as testemunhas que viram o helicóptero caído contaram que viajavam três pessoas, mas somente foram encontrados dois corpos, o de Carlito, que pilotava o aparelho, e do automobilista Silvio Oltra. Todas essas testemunhas morreram poucos meses depois do acidente de forma misteriosa.
O caso ainda é tratado como acidente, apesar das diversas hipóteses de homicídio, levantadas pela inconsolável Zulema. O testemunho de Cifuentes seria o passo definitivo para a guinada da investigação. Mas seu depoimento ao canal de TV ainda não foi transmitido, especula-se, por pressões do governo.
O juiz Carlos Villafuerte Ruzo, encarregado do caso, já solicitou o vídeo. O conteúdo da gravação foi publicado ontem pela revista Trespuntos, relatando que Cifuentes definiu-se como traficante de drogas vinculado à guerrilha da Colômbia.


