Trabalhista consolida liderança em Israel
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terça-feira, 11 de maio de 1999
Gilles Lapouge Agência Estado 
Faltando menos de uma semana para as eleições em Israel, na segunda-feira, 17 de maio - eleições que têm a finalidade de escolher os 120 deputados do Knesset e o futuro primeiro-ministro -, as chances do atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, representante da direita, estão diminuindo.
Ao contrário, seu rival trabalhista, Ehud Barak, vai indo muito bem.
Seus amigos, seus assessores, estão muito alegres. O motivo é porque as pesquisas de opinião coincidem em apontar, em favor de Barak, uma vantagem de 8 a 12 pontos percentuais dos votos em relação a Netanyahu. É verdade que as pesquisas são pouco confiáveis em Israel. Mas, desta vez, os habitantes de Jerusalém ou de Tel Aviv estão acreditando nelas: a cada semana, Barak abocanha um novo pedacinho do eleitorado de Netanyahu.
Outro motivo de mal-estar no acampamento de Netanyahu: um trabalhista como Ehud Barak não terá nada de mais urgente a fazer senão ceder aos palestinos na questão de Jerusalém, afirma o premier. Mas este argumento, considerado forte, não impressiona os israelenses. A razão é porque Barak, ex-general do corpo de pára-quedistas, jamais deu a impressão de ser um pombo. Ele certamente é menos rígido, menos ideológico, menos obstinado que Netanyahu, mas é pouco inclinado a ceder aos palestinos.
France PresseMal-estarO primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tenta recuperação na reta final e adota discurso contra palestinosPortanto, o trabalhista Barak tem o sorriso nos lábios. E, se for necessário um segundo turno nas eleições (caso não houver maioria absoluta no primeiro turno), Barak ainda teria reservas de votos em seu favor: efetivamente, os pequenos candidatos, que irão receber poucos votos no primeiro turno, se voltarão mais para o candidato trabalhista do que para o campo de Netanyahu no segundo turno.
Este é o caso do candidato dos Nacionalistas Palestinos (árabes- israelenses), Azmi Bishara, que talvez desista mesmo antes da primeira votação. Ao que parece, até o candidato da extrema direita, Benny Begin, já não parece mais estar disposto a desistir para favorecer Netanyahu.
Um caso mais delicado é o do centro, de Yitzhak Mordechai, que iniciou a campanha com estardalhaço, mas foi perdendo terreno, a tal ponto que as pesquisas lhe atribuem apenas 7% dos votos. Teoricamente, os votos de Mordechai deveriam ir mais para os trabalhistas do que para o Likud, mas Mordechai se recusa a desistir antes do primeiro turno, apesar das enormes pressões que está sofrendo.
Mais estranho é o caso dos ultra-ortodoxos, os haredim (tementes a Deus), que têm a preferência de 5 a 10% do eleitorado. Pela lógica, os haredim estão mais próximos da direita do que dos trabalhistas. Aos seus olhos, a esquerda anuncia a laicização do Estado de Israel e o fim do sistema que, nesse Estado judaico, confia o registro do Estado Civil apenas aos rabinos.
Esta massa de ultra-ortodoxos (tanto os asquenazis quanto os sefarditas pobres) foi aliás unificada por Netanyahu nas eleições de 1966 e contribuiu para sua vitória. E, há três anos, os ultras sustentam solidamente Netanyahu que, por sua vez, lhes distribui subvenções generosas.
Contudo, neste ano, os ortodoxos hesitam em apoiar novamente Netanyahu. Com certeza eles não se converteram por milagre ao socialismo e ao laicismo, mas percebem que Netanyahu corre o risco de ser derrotado pelos trabalhistas. Ora, como os ultra-ortodoxos não têm outros recursos a não ser a ajuda do governo, estão interessados em apoiar o candidato que apresenta as maiores chances de vitória, ou seja, Ehud Barak, muito embora este último tenha anunciado que, se for vitorioso, está decidido a reduzir as subvenções concedidas aos ultra-ortodoxos.
Por enquanto, os ultra-ortodoxos estão indecisos, fazem consultas e buscam, não a melhor solução, mas a menos ruim.
Entretanto, faltam ainda seis dias para as eleições. Até lá, as posições podem evoluir, sobretudo se os palestinos adotarem iniciativas arrogantes ou perigosas. Mas, é forçoso reconhecer que no momento o vento enfuna mais as velas do navio trabalhista do que as velas do Likud.


