Trabalhadores e empresários fazem protesto na França
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quarta-feira, 14 de janeiro de 1998
Reali Junior Agência Estado 
A crise social está se agravando na França na medida em que se constata uma deterioração das relações entre o governo socialista de Lionel Jospin e os seus principais parceiros, não só os sindicatos patronais e de trabalhadores, mas também as associações que representam os três milhões de desempregados do país. Ontem, eles voltaram a desfilar pelas ruas de Paris e de inúmeras outras cidades do interior para manifestar seu descontentamento com a série de medidas anunciadas de luta contra o desemprego e consideradas insuficientes.
Por outro lado, o CNPF (Centro do Patronato Francês), associado a outras organizações de empregadores, deflagrou uma verdadeira guerra ao projeto de 35 horas de trabalho semanais, lançando através seu novo presidente, Ernest-Antoine Seilliére, um apelo solene ao governo e ao Parlamento para que ambos renunciem a essa lei que imporia as 35 horas a todas as empresas a partir do ano 2000.
O presidente do CNPF foi buscar no Palácio do Eliseu a aprovação do próprio presidente Jacques Chirac. Ao sair do gabinete presidencial revelou que o chefe de Estado não rejeitará a lei das 35 horas, caso ela venha a ser aprovada pelo Parlamento, respeitando uma decisão soberana, mas ele a desaprova nessa fase de discussão, considerando sua imposição como prejudicial às empresas e a criação de empregos no país.
O primeiro-ministro Lionel Jospin explicou que o governo não imagina renunciar a seu projeto, mas de nenhuma forma a nova legislação será imposta contra os interesses das empresas. Jospin só admite renunciar ao projeto das 35 horas desde que as organizações patronais não demitam. O chefe do governo está convencido que através diminuição da carga horária é que se conseguirá reduzir o desemprego no país. Ernest-Antoine Seilliére replica lembrando que os três milhões de empresários que representa, julgam que essa iniciativa destruirá os empregos ao invés de criar, constituindo também um fardo enorme para a competitividade das empresas francesas.


