Um cheiro forte de morte era sentido, ontem, na localidade de Jesse (Nigéria), onde uma explosão matou pelo menos 700 pessoas no último domingo, quando tentavam recolher o petróleo derramado de um oleoduto avariado.
O último foco do incêndio que deixou cenas de um horror indescritível continua ardendo. Trata-se de um simples prédio de tijolos que protege uma grande válvula do oleoduto.
O local da tragédia se encontra no final de um caminho de barro, em uma área florestal, a poucos quilômetros da estrada de Benin a Warri, ao sul de Sapele.
Na aproximação da área, são observados corpos carbonizados no solo.O primeiro dos túmulos coletivos cavado segunda-feira ficou cheio durante a noite e os operários começaram a cavar a segunda vala. Dezenas de cadáveres carcomidos pelas chamas jazem no solo.
Ontem os trabalhadores continuavam cavando, com os rostos cobertos por máscaras brancas para evitar o mau cheiro e a ameaça de enfermidades.
Os corpos carbonizados dos que não conseguiram escapar continuam apertando os recipientes em que guardavam o petróleo que lhes custou a vida.
Descendo a colina, encontra-se um rio cheio de cadáveres, evidenciando que as pessoas que tentavam escapar das chamas terminaram entrando em um rio de petróleo fervente.
‘‘Nunca vi algo como isso’’, disse Melvis Oghroro, principal autoridade médica do governo local. ‘‘É horrendo’’, afirmou antes de voltar a seu trabalho e organizar os funerais.

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