Tortura e abusos contra homossexuais continuam
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domingo, 24 de junho de 2001
Blair Tindall France Presse 
Na véspera do fim de semana do Orgulho Gay em San Francisco e em várias cidades do mundo, a Anistia Internacional divulgou um informe sem precedentes sobre a tortura aos homossexuais.
O informe possui provas de abusos físicos, sexuais e psicológicos realizados contra homossexuais em 30 países, afirmou o porta-voz da Anistia Internacional Dennis Palmieri.
Este é o primeiro estudo realizado por uma organização de defesa dos direitos humanos que identifica lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis como uma minoria global que sofre abusos comuns, acrescentou Palmieri.
Delitos de Ódio, Conspiração do Silêncio é o último informe da campanha da Anistia este ano contra a tortura no mundo, que incluiu os maus-tratos contra mulheres e crianças e investigou a fabricação de instrumentos de tortura.
Em mais de 70 países de todo o mundo existem leis que condenam as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo.
Sudão, Afeganistão, Paquistão, República Tcheca, Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iêmen impõem a pena de morte aos atos homossexuais.
Pelo menos seis homens afegãos foram espancados em público até a morte desde 1998, depois de terem sido condenados por sodomia por um tribunal islâmico talibã.
Líderes governamentais têm feito declarações desrespeitosas contra os gays, criando uma atmosfera que incentiva as forças de ordem a abusarem desta parte da sociedade, afirmou Palmieri.
Palmieri destacou que outros países do sul da África, assim como no Caribe e leste da Europa, são locais especialmente inóspitos para os homossexuais.
Além de ser sistematicamente espancada durante os três anos que passou na prisão, desde 1995, uma lésbica romena foi amarrada a um radiador em posição de crucificação durante 11 horas.
Na Jamaica, as relações homossexuais podem ser punidas com até 10 anos de prisão e trabalhos forçados. Em maio de 2000, a polícia jamaicana negou a uma enfermeira autorizada a distribuir preservativos o acesso a um advogado durante um interrogatório de nove horas.
Em Uganda, defensoras dos direitos das mulheres foram presas e estupradas 1999 em uma cela imunda, infestada de morcegos.
Em novembro de 2000, em Chicago, Jeffrey Lyons foi supostamente assaltado por pelo menos oito oficiais da polícia fora de serviço, quando o viram abraçar um amigo. Esse heterossexual de 39 anos sofreu fratura de vários ossos faciais e danos neurológicos.
A intolerância social, menos visível que a ação governamental, também pode conduzir à violência, acrescenta a Anistia.
Existe uma tolerância crescente dos abusos sexuais por causa dos estigmas sociais relacionados com a homossexualidade, afirma em um comunicado William Schultz, diretor da Anistia Internacional nos Estados Unidos.


