Tortura contra prisioneiros abala autoridades
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terça-feira, 04 de maio de 2004
France Presse 
Bagdá - O escândalo das sevícias infligidas a prisioneiros iraquianos por soldados da coalizão não cessa de crescer, com a mídia apresentando novos documentos, ainda não confirmados, ao passo que as condenações continuavam ontem a afluir do mundo todo.
O canal da televisão francesa Canal Plus iria transmitir ontem a noite imagens mostrando um helicóptero americano abatendo três pessoas que não parecem ameaçadoras, das quais uma está ferida e é liquidada a sangue frio.
Estas imagens, segundo o canal, foram roubadas no Iraque. Agressões, simulacro de execução, insultos, nudez forçada: um jovem cinegrafista iraquiano da cadeia Al-Jazeera do Qatar testemunhou humilhações sofridas durante uma detenção longa de dois meses nas prisões mantidas pelos militares americanos no Iraque.
No Cairo, o jornal da oposição Al-Wafd publicou na primeira página quatro fotos mostrando segundo ele estupros de iraquianas por soldados, sem precisar a origem das fotos.
Enquanto os britânicos se interrogam sobre a realidade das fotos publicadas pelo Daily Mirror sábado, mostrando um soldado britânico urinando sobre um prisioneiro iraquiano agachado, o Times relatou segunda-feira dez outros casos de civis iraquianos - ''dos quais sete morreram'' - que sofreram maus-tratos, infligido por ''soldados britânicos''.
O secretário de estado das forças armadas, Adam Ingram, disse ontem que a ''prioridade imediata'' do governo britânico era ''estabelecer a verdade o mais rápido possível'' sobre a autenticidade das fotos publicadas pelo Mirror. A investigação está sendo feita ao mesmo tempo na Inglaterra, em Chipre e em Basra, precisou.
Estes documentos ou testemunhos não foram autenticados, mas segunda-feira o exército americano reconheceu que as sevícias cometidas na prisão iraquiana de Abu Ghraib, reveladas semana passada pela cadeia americana ABC, tinham um caráter ''sistemático''.
Um relatório americano indica que soldados ''agrediram'' e ''pularam sobre os pés nus'' dos prisioneiros, ''usaram cães sem coleira para amedrontar os detidos'', ''sodomizaram um preso'', ''ameaçaram os detidos masculinos de estupro''.
A Casa Branca confirmou nesta terça-feira que o Pentágono tinha aberto uma investigação aprofundada para se assegurar de que os maus-tratos infligidos aos militares iraquianos não se reproduziriam jamais.
O mundo árabe exprimiu sua indignação e sua cólera. Cinquenta militantes dos direitos do homem se reuniram nesta terça-feira no centro de Beirute, portando cartazes nos quais se lia: ''Onde estão os direitos do homem no Iraque?'', ''Fim às sevícias em Abu Ghraib''.
O Sudão igualmente se levantou contra as sevícias e exigiu o fim da ocupação do Iraque. E a Organização Egípcia dos Direitos do Homem (ONG independente) pediu um inquérito e um processo para os culpados.
Ontem 240 prisioneiros foram soltos da prisão de Abu Ghraib, onde a coalizão libera regularmente alguns dos 5.000 ''detidos de segurança'', suspeitos de terem participado de ataques contra suas forças.


