Tony Blair dá ultimato no Ulster
France Presse
Os partidos políticos católicos e protestantes do Ulster, que começaram este sábado suas consultas para formar seus governos terão, segundo a proposta dos primeiro-ministros britânico, Tony Blair, e irlandês, Bertie Ahern, 15 dias para tentar convencer os protestantes das condições de desarmamento do IRA.
Segundo este plano, será criado um governo no Ulster antes de 15 de julho, e o desarmamento do IRA será efetivo antes de maio do ano 2000, como estipula o acordo de Sexta-feira Santa assinado em abril do ano passado, apesar da exigência fundamental dos unionistas de um começo de desarmamento imediato.
A proposta prevê que no dia 16 de julho haja uma votação no Parlamento de Westminster para autorizar a transferência efetiva de poderes de Londres a Belfast no dia 18 consecutivo.
O general canadense John de Chastelain, que preside uma comissão independente sobre o desarmamento dos paramilitares católicos e protestantes, é o encarregado de iniciar o quanto antes as negociações com todos os grupos envolvidos e de fixar uma data para o início do processo de desarmamento.
Segundo de Chastelain, o processo pode começar praticamente dois dias depois da transferência (de poderes) e as primeiras armas poderiam ser entregues algumas semanas depois do início do processo.
O plano estipula que no caso de as partes não cumprirem os compromissos, não respeitando o calendário do desarmamento, por exemplo, o edifício institucional previsto pelo acordo teria que ser suspenso.
A comissão presidida por Chastelain deverá confirmar o início efetivo do desarmamento e vai elaborar informes das etapas sobre os progressos obtidos, em setembro e dezembro de 1999 e em maio do ano 2000.
Quase todos consideram que Tony Blair nos traiu na última hora, queixou-se este sábado Ken Maginnis, representante de segurança do Partido Unionista do Ulster (UUP).
David Trimble, chefe do UUP e primeiro-ministro do futuro governo local, reiterou que não aceitará representantes do Sinn Fein em sua formação enquanto o IRA não tiver começado a entregar suas armas.
Mas, segundo o acordo proposto esta sexta-feira, as primeiras armas não seriam efetivamente entregues até setembro.





